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9.11.07

O Melhor Filme de todos os tempos na última Mostra SP





"Em Paris"
Christophe Honoré
Gemini Films

Paul está deprimido por ter se separado de Anna e volta para Paris, onde vai morar com o pai divorciado e o irmão mais novo, Jonathan. Enquanto o despreocupado irmão e o pai companheirotentam em vão reanimá-lo, só uma visita de sua mãe parece lhe trazer a alegria de volta. Quando um dia Paul fica em casa e se entrosa e conversa com uma das namoradas do irmão, ele começa a pensar que, enquanto as coisas não saem como planejadas, é sempre possível encontrar algum motivo para viver.

Os Melhores Diretores...
1. Christophe Honoré por "Em Paris" e "Canções de Amor"
2. Brian de Palma por "Redacted"
3. Giuseppe Tornatore por "A Desconhecida"
4. Sidney Lumet por "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto"
5. Joen Coen & Ethan Coen por "Onde os Fracos Não Têm Vez"

Os Melhores Atores...
1. Louis Garrel por "Canções de Amor"
2. Philip S. Hoffman por "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto"
3. James McAvoy por "Desejo e Reparação"
4. Tommy Lee Jones por "No Vale das Sombras"
5. Marc Labrèche por "A Era da Inocência"






"Redacted"
Brian De Palma
Magnolia Pictures

Entre o documentário e a ficção, o filme centra-se num pequeno grupo de soldados americanos em serviço num posto de controle no Iraque. Alterna pontos de vista, equilibrando as experiências dos jovens constantemente sob ameaça e alvos da mídia com as do povo iraquiano. Joga luz sobre o modo como cada um dos lados é afetado pelo conflito e o que acontece quando ambos se encontram. Situações e personagens verídicos interpretados por atores mesclam-se a imagens reais e impactantes que o diretor Brian De Palma buscou na internet, em vídeos do site You Tube e nos registros pessoais de blogs de soldados, como o de Angel Salazar. Durante sua passagem pelo Iraque, ele se utilizou de uma câmera digital para gravar o cotidiano de trabalho e depoimentos de colegas. No filme, nem sempre é possível diferenciar o material documental do ficcional. Isso fica evidente numa cena perturbadora, que acompanha o estupro de uma menina iraquiana de 15 anos e o extermínio de sua família por um grupo de soldados americanos em serviço na cidade de Mamhudiya. O fato real foi o ponto de partida para o cineasta. "Redacted" significa editado ou preparado para publicação, mas também é um termo usado para se referir à supressão proposital de informações importantes de um documento, numa espécie de censura prévia. De Palma levou o Leão de Prata de direção no Festival de Veneza 2007.

As Melhores Atrizes...
1. Julie Christie por "Longe Dela"
2. Angelina Jolie por "O Preço da Coragem"
3. Martina Gedeck por "A Vida dos Outros"
4. Romola Garai por "Angel"
5. Keira Knightley por "Desejo e Reparação"

Os Melhores Elencos...
1. "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto"
2. "Onde os Fracos Não Têm Vez"
3. "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
4. "Canções de Amor"
5. "I´m Not There"






"A Desconhecida"
Giuseppe Tornatore
Medusa Film

A "desconhecida" é Irena. Ela mudou-se há muitos anos da Ucrânia para a Itália e hoje vive entre fantasmas do passado e uma busca pelo presente. Quem é Irena, de fato? Como várias outras, ela fugiu do Leste europeu. Depois de sobreviver a uma viagem cruel e dramática, virou presa fácil de um homem inescrupuloso. Foi submetida a brutalidades e humilhações impronunciáveis, que jamais se apagarão da memória. Apenas uma bela lembrança permanece: um melancólico amor perdido. No fundo, apesar dos trágicos eventos, seu caráter permaneceu intacto. Sob uma fisionomia aparentemente submissa, seu orgulho natural e seu poder de se rebelar permanecem inalterados. Ela aceita trabalhar de faxineira num prédio. Sua intenção, porém, é aproximar-se de uma família que mora do outro lado da rua. Os Adachers trabalham com ouro. A família é composta pela esposa Valeria, o marido Donato e a garotinha Tea. Nada impedirá Irena de conseguir um trabalho naquela casa. Nem mesmo um assassinato. A Desconhecida conquistou o Prêmio do Público no festival de Moscou e também 5 prêmios David di Donatello (o prêmio oficial do cinema italiano): filme, diretor, atriz (Kseniya Rappoport), fotografia e música.

As Melhores Atrizes Coadjuvantes...
1. Cate Blanchet por "I´m Not There"
2. Susan Sarandon por "No Vale das Sombras"
3. Saoirse Ronan por "Desejo e Reparação"
4. Marisa Tomei por "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto"
5. Maria Isabel de Oliveira por "Cristovão Colombo - O Enigma"

Os Melhores Atores Coadjuvantes...
1. Javier Bardem por "Onde os Fracos Não Têm Vez"
2. Albert Finney por "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto"
3. Casey Affleck por "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
4. Sam Rockwell por "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
5. Louis Garrel por "Em Paris"






"A Era da Inocência"
Denys Arcand
Studio Canal

Em seus sonhos, Jean-Marc é um valente cavaleiro, um astro dos palcos, um artista que vive com mulheres a seus pés e em sua cama. Mas, na realidade, ele é muito diferente. Cidadão comum, seu trabalho é ouvir pacientemente pessoas que procuram seu departamento em busca de ajuda. Em casa, sua mulher está sempre muito ocupada para lhe dar atenção e seus filhos adolescentes não lhe dão a mínima. A tentação de seguir vivendo em sua terra de sonhos é muito grande. Mas Jean-Marc decide dar-se uma última chance no mundo real. No elenco, uma rara participação como ator do cantor cult Rufus Wainwright.

Os Melhores Roteiros...
1. "Redacted"
2. "A Desconhecida"
3. "A Era da Inocência"
4. "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto"
5. "El Orfanato"

Os Melhores Documentários...
1. "SOS Saúde"
2. "Screamers"
3. "Transformaram o Meu Deserto em Fogo"
4. "Este Filme Ainda Não Têm Censura"
5. "O Filme da Rainha"






"Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto"
Sidney Lumet
Before The Devil Knows, Inc.

Dois irmãos desejam assaltar a joalheria dos pais. Eles precisam de dinheiro extra e planejam o crime perfeito, sem armas, sem violência, sem vítimas. Hank é um perdedor, um encostado, enquanto o convencido Andy é um drogado cuja carreira numa grande corporação está prestes a ruir. A mulher de Andy tem um caso com Hank. Tudo corre aparentemente bem, até um cúmplice do esquema ignorar as regras e ultrapassar os limites, desencadeando uma série de eventos que não deixará ninguém impune. O filme sobrepõe tempos narrativos, revelando informações a partir de diferentes pontos de vista. O veterano cineasta Sidney Lumet busca uma possibilidade no desespero humano e no desconforto familiar. Resgatando o espírito do cinema dos anos 70, Lumet questiona mais uma vez a auto-imagem da América.

Os Melhores Filmes Brasileiros...
1. "Mutum"
2. "A Casa de Alice"
3. "Estomâgo"
4. "Jogo de Cena"
5. "O Signo da Cidade"

Os Melhores Filmes de Estréia...
1. "El Orfanato"
2. "Persepólis"
3. "Longe Dela"
4. "A Banda"
5. "A Vida dos Outros"






"Onde os fracos Não Têm Vez"
Joel Coen & Ethan Coen
Paramount Vantage

Ambientado em 1980, o filme é construído em torno de um traficante de drogas, encontrado no deserto por um caçador escuso e pouco esperto. Como todos foram mortos, Moss pega sua recompensa: uma maleta cheia de dólares. Mas ele tem total certeza de que alguém irá procurá-lo para recuperar o dinheiro. Esse alguém chega rápido: uma besta inexorável que não demonstra nenhuma emoção, medo e remorso. Anton Chigurh é uma escavadora que simplesmente elimina tudo e todos que estão no seu caminho. A lei, incorporada na pessoa do xerife local, Ed Tom Bell, é apenas um dos obstáculos no destino de Chigurh. Seu maior problema é Moss, que rapidamente vem a entender que ficar a um passo de seu perseguidor significa concentrar todas as suas reservas de astúcia e imaginação. O que emerge é um jogo de gato e rato que vai até um duelo de morte entre um puma e um urso cinza – cada um na tentativa de evitar sua dor.

As Melhores Fotografias...
1. "Desejo e Reparação"
2. "I´m Not There"
3. "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
4. "Onde Os Fracos Não Têm Vez"
5. "Into the Wild"

As Melhores Edições...
1. "Redacted"
2. "Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto"
3. "A Desconhecida"
4. "I´m Not There"
5. "Império dos Sonhos"






"El Orfanato"
Juan Antonio Bayona
Wild Bunch

Laura passou os anos mais felizes de sua infância num orfanato à beira do mar, onde recebeu cuidados dos funcionários e dos outros órfãos que amava como irmãos. Trinta anos depois, ela retorna com seu marido, Carlos, e Simon, o filho de sete anos, com o sonho de restaurar e reabrir o orfanato há muito abandonado como abrigo para crianças inválidas. O novo lar e seus mistérios despertam a imaginação de Simon e o menino cria uma teia de histórias fantásticas e jogos pouco inocentes. São brincadeiras perturbadoras que começam a incomodar Laura, que adentra o estranho universo do garoto e com isso resgata memórias incômodas e há muito esquecidas de sua própria infância. Conforme se aproxima o dia da inauguração, a tensão se instala na família. Carlos permanece cético, pois acredita que Simon esteja inventando tudo isso só para chamar a atenção. Mas Laura aos poucos se convence de que algo terrível vagueia pela velha casa, algo que espera emergir e infligir danos extremos à sua família. O filme é produzido pelo cineasta Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno).

As Melhores Direção de Arte...
1. "Desejo e Reparação"
2. "Angel"
3. "A Casa das Cotovias"
4. "El Orfanato"
5. "Os Miseráveis (1995)"

Os Melhores Figurinos...
1. "Angel"
2. "Desejo e Reparação"
3. "A Casa das Cotovias"
4. "Across the Universe"
5. "Amor nos Tempos do Cólera"






"Canções de Amor"
Christophe Honoré
Alma Films

As origens de Canções de Amor remetem a um material musical pré-existente: as canções escritas por Alex Beaupain. Os personagens começam a cantar assim que se apaixonam, porque são incapazes de expressar paixão de outra forma. Os cenários, como os apartamentos dos pais, retornam como um coro, com um tom diferente de acordo com o que foi cantado previamente. E assim como numa música, em que certos instrumentos retornam ou desaparecem enquanto outros são adicionados, os personagens secundários dão um ímpeto refrescante à história enquanto outros são eliminados dela. Ismaël perambula sem direção, mas a despeito de tudo continua caminhando. Erwann apressa um pouco seu passo. Já Jeanne é condenada à imobilidade: ela lembra um ponto fixo, pois a tragédia a congela. E Alice anda ao lado de Ismaël, mas ela resolve se afastar do seu caminho para seguir outra história, agora com um rapaz bretão que acaba de conhecer.

As Melhores Trilhas Musicais...
1. "Desejo e Reparação", de Dario Marianelli
2. "A Desconhecida", de Ennio Morricone
3. "Vocês, Os Vivos", de Robert Hefter
4. "Lust, Caution", de Alexandre Desplat
5. "Canções de Amor", de Alex Beaupain

As Melhores Cenas...
1. De "Senhores do Crime": "A Sauna"
2. De "A Era da Inocência": "Ótimo para Censura Americana"
3. De "A Desconhecida": "A Cópia da Chave"
4. De "El Orfanato": "1,2,3 - Bate na Parede (Cena 2)"
5. De "Desejo e Reparação": "Ruínas de Londres"






"I´m Not There"
Todd Haynes
Celluloid Dreams

Uma biografia diferente do maior ícone do rock’n’roll americano, Bob Dylan, numa narrativa fragmentada e em tom estiloso. Sete atores, entre eles grandes astros de Hollywood, interpretam o músico em diferentes períodos de sua vida e carreira, entre os anos 60 e 70. Uma das interpretações mais originais nesse inusitado formato deu a Cate Blanchett – no filme morena, com cabelos cacheados e de óculos escuros – o Copa Volpi de melhor atriz no festival de Veneza 2007. A produção também conquistou o Prêmio Especial do Júri e o “CinemAvvenire”, dedicado a produções inovadoras que apontam o futuro do cinema. Em outra escolha curiosa, o jovem aventureiro Dylan é vivido pelo garoto negro Marcus Carl Franklin. A trilha sonora recorre a versões originais e a covers do bardo, incluindo do hit “Like a Rolling Stone”.

As Melhores Canções...
1. "As-tu déjà aimé", de Alex Beaupain para "Canções de Amor"
2. "Au parc", de Alex Beaupain para "Canções de Amor"
3. "La Bastille", de Alex Beaupain para "Canções de Amor"
4. "Ma memoire sale", de Alex Beaupain para "Canções de Amor"
5. "Avant la haine", de Alex Beaupain para "Em Paris"

As Melhores Mixagens de Som...
1. "Brand Upon a Brain"
2. "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
3. "El Orfanato"
4. "I´m Not There"
5. "Império dos Sonhos"


10º



"Lust, Caution"
Ang Lee
Focus Features

A Xangai dos anos 40, durante a ocupação japonesa, é cenário para um drama temperado com espionagem, romance e apimentadas doses de sexo. A jovem Wang Chiah-Chih envolve-se com a Resistência e tem por tarefa aproximar-se de um figurão da política local, aliado dos japoneses, e servir de isca para eliminá-lo. O desafio maior é abrir uma brecha na barreira de segurança que cerca o cauteloso empresário e atraí-lo a uma armadilha. Para tanto, ela usa de muita sedução. Uma inesperada reviravolta, no entanto, pode fazer sucumbir todo o plano. O filme foi premiado com o Leão de Ouro no festival de Veneza de 2007, dois anos depois de o diretor Ang Lee ganhar o mesmo prêmio com O Segredo de Brokeback Mountain. A produção rendeu ainda o prêmio Osella de melhor fotografia para o mexicano Rodrigo Prieto.

As Melhores Maquiagens...
1. "Sombras de Goya"
2. "Angel"
3. "El Orfanato"

Menções Honrosas
"Desejo e Reparação"
"Persepólis"
"Paranoid Park"
"Into the Wild"
"O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
"Vocês, Os Vivos"
"Longe Dela"
"Angel"
"O Preço da Coragem"
"Senhores do Crime"
"A Casa das Cotovias"
"A Vida dos Outros"
"No Vale das Sombras"
"Control"

O Gosto dos Outros

Um Panorama do Festival do Rio e a Mostra SP:

Os Filmes de Bernard' Alba


1. Floresta dos Lamentos, de Naomi Kawase
2. Paranoid Park, de Gus Van Sant
3. Zoofilia, de Robinson Devor
4. Sonhando Acordado, de Michel Gondry
5. I’m Not There, de Todd Haynes
Melhor Diretor: Naomi Kawase por "Floresta dos Lamentos"
Melhor Atriz: Geraldine Chaplin por "Caixas"
Melhor Ator: Cláudio Rissi por "Cidade em Cio"
Melhor Roteiro: Céline Sciamma por "Ninféias"

Os Filmes de Chico Fireman (Filmes do Chico)

1. I’m Not There, de Todd Haynes
2. À Prova de Morte, de Quentin Tarantino
3. Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, de Sidney Lumet
4. A Questão Humana, de Nicolas Klotz
5. Paranoid Park, de Gus Van Sant
Melhor Diretor: ~
Melhor Atriz: ~
Melhor Ator: ~
Melhor Roteiro: ~

Os Filmes de Otávio Almeida (Hollywoodiano)

1. Into the Wild, de Sean Penn
1. No Vale das Sombras, de Paul Haggis
3. Desejo e Reparação, de Joe Wright
3. À Prova de Morte, de Quentin Tarantino
5. Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joen Coen & Ethan Coen
Melhor Diretor: ~
Melhor Atriz: ~
Melhor Ator: ~
Melhor Roteiro: ~

Os Filmes de Roger T.(O Crítico sou Eu)

1. Do Outro Lado, de Fatih Akin
2. Em Paris, de Christophe Honoré
3. Beaufort, de Joseph Cedar
4. Persepólis, de Marjanne Satrapi
5. A Banda, de Eran Kolirin
Melhor Diretor: ~
Melhor Atriz: ~
Melhor Ator: ~
Melhor Roteiro: ~

E se você acompanhou o festival, envie uma lista para meu e-mail (mrmarfil@yahoo.com.br) com os cinco melhores filmes da Mostra SP (Ou Festival do Rio), além de uma indicação de melhor diretor, ator, atriz e roteiro.

7.11.07

99

São Paulo (Dia 17~19): Manuel de Oliveira...99 anos! É o mais longevo diretor em atividade! Começou na profissão ainda com filmes mudos com o curta DOURO FAINA FLUVIAL (1931). O mestre já viu tudo, filmou tudo. É díficil criticar CRISTOVÃO COLOMBO - O ENIGMA, sem levar isso em consideração. É até um crime, ousar não gostar.

O filme em si, não tem nada de especial. Trata-se de uma espécie de guia turístico de Portugal. Passando por alguns monumentos referentes aos grandes descobrimentos do país. É uma espécie de lembrança à memória portuguesa. Uma cobrança ao seu povo. O deleite fica por conta da presença do próprio Manoel de Oliveira e sua mulher Maria Isabel. Bem velhinhos declarando poesias de Fernando Pessoa e Camões. Para os cinéfilos, vale a curiosidade e o charme do casal. Para os demais, cuidado, é um filme de arte.

Outra surpresa foi ANGEL de François Ozon. O filme de certa forma, foi massacrado pela cinéfilia. Acharam-no uma aberração dentro de sua filmografia que inclui AMOR EM 5 TEMPOS, SWIMMING POOL e GOTAS D’ÁGUA EM PEDRAS ESCALDANTES. Puro conservadorismo. Dentro da proposta do diretor, é um excelente filme. ANGEL flerta com os melodramas de época hollywoodianos dos anos 30 e 40. Seu texto é adocicado como aqueles romances descartáveis de banca de jornal. Doce. Exageradamente doce. Romola Garai compõe uma personagem alienada, uma escritora de novelas "água com açucar" que depois de muita egocentrismo cai no desamparo. E nesse ponto o filme fica amargo. Desolador. Desconcertante. Um conto de mel e fel.

Além disso, foi possível conferir uma enxerruda de documentários. O melhor,talvez seja SCREAMERS, onde a banda "System of a Down" confronta o genocídio que ocorreu na Armênia em 1915 e os esforços do governo da Turquia em negá-los.

5.11.07

Compro Ouro e Filmes Bons

São Paulo (Dia 17): Foi um dia atípico, sem grande novidades. Revi PRESEPÓLIS, A CASA DAS COTOVIAS, EN LA CIUDAD DE SYLVIA, I´M NOT THERE, INTO THE WILD e CADA UM COM SEU CINEMA. Repescagem têm disso...Mas valeu para eu tirar um segunda impressão.

Há uma certa melancôlia no ar. Muitos estão cansados, outros estão nostalgicos. O fato é que a Mostra está chegando ao fim. E os garimpeiros (digo, blogueiros) já estão fazendo suas listas...Afinal, qual foi o melhor filme da Mostra?

Quero saber, alías "pago" para ver! Envie sua lista para meu e-mail (mrmarfil@yahoo.com.br) com os dez melhores filmes da Mostra SP (Ou Festival do Rio), além de uma indicação de melhor diretor, ator, atriz e roteiro. Todos que enviarem sua lista, serão citados no dia 9, quando eu publicar minha lista pessoal.

E fica o aviso: Vou garimpar em vários blogs em busca dessas listas. Espero que não se importem...

4.11.07

Canções de Amor em Paris

São Paulo (Dia 16): O cinema de Christophe Honoré é irresistível: Seus filmes apresentados na Mostra (EM PARIS e CANÇÕES DE AMOR) são irremediavelmente românticos, delicados e envolventes. As ruas e os apartamentos de Paris testemunham um amor a dois e a três, no feminino e no masculino, com ligeiras canções interpretadas pelos próprios atores. Na verdade são poemas musicados, sussurados em grande intensidade e paixão.

EM PARIS conta a história de Paul que está deprimido por ter se separado de Anna e acaba indo morar com o pai divorciado e o irmão mais novo, Jonathan (Louis Garrel, presença regular no cinema de Honoré). Enquanto o despreocupado irmão e o sempre companheiro pai tentam em vão reanimá-lo, só uma visita da mãe parece lhe trazer a alegria de volta. Quando um dia Paul fica em casa e se entrosa e conversa com uma das namoradas do irmão, ele começa a pensar que, enquanto as coisas não saem como planejadas, é sempre possível encontrar algum motivo para viver.

Já em CANÇÕES DE AMOR, Ismael (Louis Garrel) entrega-se ao desafio amoroso da namorada Julie e partilha a ménage a trois com a amiga comum, Alice. Ainda que depois da tragédia que vitima Julie encontre conforto nos braços do adolescente Erwann.

As origens das canções remetem a um material musical pré-existente: as canções escritas por Alex Beaupain. Os personagens começam a cantar assim que se apaixonam, porque são incapazes de expressar paixão de outra forma. Os cenários, como os apartamentos dos pais, retornam como um coro, com um tom diferente de acordo com o que foi cantado previamente. E assim como numa música, em que certos instrumentos retornam ou desaparecem enquanto outros são adicionados, os personagens secundários dão um ímpeto refrescante à história enquanto outros são eliminados dela.

Ainda apaixonado, deu tempo de conferir PARANOID PARK. O filme lança uma luz muitas vezes onírica sobre as pistas de concreto para skate e os shopping centers frequentados por seus jovens protagonistas. Mas, além dos movimentos graciosos dos skatistas, Gus Van Sant transmite um clima inquieto e perturbador que envolve uma juventude urbana que, com apenas uma exceção, parece estar voltada para longe do mundo externo e ser indiferente ao futuro. Um cinema claramente autoral de Van Sant, tão bom quanto ELEFANTE.

Darwin

São Paulo (Dia 15): Fim de Mostra, fim de festa. Prêmios concedidos à O BANHEIRO DO PAPA (Júri), A QUESTÃO HUMANA (Crítica) e INTO THE WILD/PERSÉPOLIS (Público) entre outros.

Para os organizadores, é hora de pensar a Mostra de 2008. Para o público, é hora de conferir uma seleção final, onde literalmente "os fracos não têm vez". Uma seleção de repescagem com os melhores filmes da Mostra que vão compor uma terceira semana de maratona (e alegria) para os cinéfilos:

Havia briga para (re)ver O MILAGRE DE MÉDEIA, ou melhor, Isabelle Huppert. Aqui ela repete o papel de PROPRIEDADE PRIVADA como uma mãe sofredora à beira da depressão. Dona de uma boate e na iminência de um divórcio, ele sofre com a perda da guarda dos filhos. Deve agradar o fã-clube da atriz e só.

BRAND UPON THE BRAIN é uma grande homenagem ao cinema mudo. Mais que isso, torna-se um filme evento, uma balada para cinéfilos. Guy Madden manteve todas as características daquele cinema: os clássicos intertítulos, a fisionomia caricatural dos atores e a enfâse na sonoplastia. Mas ao antigo, deu um toque moderno: Edição rápida, atraso no sincronismo do som e trilha musical intensa, além de uma narração em off de Cate Blanchett e Isabella Rossellini. Valeu a iniciativa.

Cercado de polêmica, BEAUFORT tornou-se o indicado de Israel ao Oscar de filme Estrangeiro, ao solicitar a desclassificação de A BANDA pela quantidade de dialogos em inglês. Denúncia feita, pedido deferido, BEAUFORT indicado. Um erro gigantesco. O filme apesar de tecnicamente bem feito, tem um estória fraca. É mais um drama de guerra, com todos os devidos clichês do gênero, ao narrar a retirada do exercito israelita da base de BEAUFORT no Líbano. OK...Mas preferia ver a banda passar.

E Javier Bardem (apesar do cabelinho pajem, ou até por causa dele...) é o vilão do ano! Uma besta inexorável que não demonstra nenhuma emoção, medo e remorso. Uma escavadora que simplesmente elimina tudo e todos que estão no seu caminho. ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ é um grande jogo de gato e rato, repleto de humor negro no melhor estilo dos irmãos Coen. Já estou vendo as indicações...

2.11.07

Aviso aos pais: Essa publicação é imprópria à crianças menores de 17 anos (Classificação NC-17)

São Paulo (Dia 13/14): Conforme a MPAA (Motion Picture Association of America), esse texto foi classificado como NC-17 pelo alto teor de obcenidades e palvras de baixo calão. Essa publicação contém material orientado sexualmente para adultos, destinado a indivíduos maiores de 17 anos. Se você não atingiu ainda 17 anos, se este tipo de material ofende você, ou se você está acessando a internet de algum país ou local onde este tipo de material é proibido por lei, não prossiga!

Feito o aviso, falemos de sexo explícito, orgasmos, feleções, masturbações, obscenidades e, claro, putas! Muitas putas. Putas de montão. Mas antes, falemos de censura branca:

A MPAA (“Associação de Filmes da América”), uma organização lobista dos Estados Unidos para a indústria de cinema, mantém desde 1968 um sistema de avaliação. Esse sistema, com sua classificação por idade recorrendo a letras G, PG, PG-13, R e NC-17 (antes X), tornou-se um ícone cultural. Mas por trás dessa fachada simples há um processo de censura mantido em segredo. Os membros credenciados são anônimos. As deliberações são privadas. Os padrões parecem arbitrários. ESTE FILME AINDA NÃO TÊM CENSURA questiona se os filmes hollywoodianos e as produções independentes são avaliados de forma igualitária considerando conteúdos semelhantes. Também pergunta se o teor sexual dos filmes gays tem classificação mais rigorosa do que o das obras heterossexuais. Faz sentido um filme de violência extrema receber uma classificação tipo R (mais baixa), enquanto filmes com temática sexual são mais censurados? Se os estúdios de Hollywood recebem indicações detalhadas de como atenuar a censura de um filme NC-17 para R, por que os produtores de cinema independente precisam adivinhá-las? E por fim, manter secretas as avaliações e seus critérios não fariam da MPAA uma associação inconseqüente em suas decisões? Para cinéfilos, é um tema muito interessante. Certamente haverá mais posts sobre isso na pauta de Spoiler

Falta falar de putas...Falemos então de GO GO TALES. Na linha das comédias sofisticadas de Frank Capra, Billy Wilder e Preston Sturges, o filme é a primeira comédia do polêmico cineasta Abel Ferrara, cuja filmografia flerta com a violência e a religiosidade. A proposta é ilustrar a relação conflitante entre a arte e o capitalismo. Questionar quanto o artista precisa se vender para conseguir atingir o seu nirvana criativo e sobreviver dentro das amarras empresariais. Engraçadinho...

LUST CAUTION veio precedido de fama escandalosa que todo ano cerca alguns concorrentes ao Leão de Ouro (festival sem escândalo não é digno do seu nome, dizem). Dizia-se que as cenas de sexo eram longas e tórridas. E são mesmo, no limite do hardcore. Mas não se vê, em momento algum, uma única cena gratuita. Se lá estão, é porque têm razão dramática para existir.

Ang Lee quis falar do desejo, impelindo as pessoas para direções bem diferentes das apontadas por seus projetos racionais e retrabalhou o tema com estatuto trágico. Uma bela evolução, ou variação, provando que Ang Lee é cineasta de múltiplos registros - o que não é necessariamente ponto a favor.

Vale uma ressalva. A versão de Veneza e da Mostra SP está sendo editada para conseguir uma classificação R nos EUA. Com isso, LUST, CAUTION perde muito em função do puritanismo americano. Consequentemente, nada de prêmios...

O Horror! O Horror!

São Paulo (Dia 13): Foi um verdadeiro soco no estomâgo o penultimo dia de Mostra. Mortes. Estupros. Decapitação. Talibãs. O horror! O horror! De 6 filmes, houve cenas de degola em 4 e a cada projeção, um silêncio tumular caia sobre a platéia. Não se ouviu um aplauso. Não se ouviu ninguém conversar com ninguém. As pessoas foram saindo, quietas, como se o peso do mundo tivesse caído sobre cada uma delas. Não se sabe se gostaram ou não.

REDACTED é baseado em vídeos caseiros de guerra feitos por soldados, seus blogs, diários e imagens postados no YouTube, refletindo mudanças na maneira como a mídia cobre a guerra. O filme é centrado sobre um pequeno grupo de soldados, estacionados em uma barreira militar em Bagdá. Sua missão é revistar tudo e todos que por ali passam, veículos e pessoas. Submetidos à pressão contínua, expressam seus sentimentos em relação aos iraquianos. São filmados em ação e na intimidade. Situado a meio caminho entre o documentário e a ficção. O filme calou fundo. É impressionante...Pela coragem, pela utilização de vários materiais e recursos do documentário e do docudrama para reconstituir uma tragédia. É um trabalho de edição e direção primoroso. Infelizmente ousado demais para ser lembrado em alguma premiação.

E então os irmãos Taviani nos oferecem outra lição de historia: Uma verdadeira prova do que a humanidade foi capaz de fazer, o obscuro holocausto dos armênios, durante a Primeira Guerra Mundial. A CASA DAS COTOVIAS narra o massacre organizado pelo Partido da Juventude Turca, pelos olhos da família Avakian. Todos os homens foram executados, enquanto as mulheres são levadas para o deserto e deixadas lá para morrer. É um filme simples, sem grandes recursos ou elaborações cinematográficas, cujo principal destaque é justamente a estória. Foi aplaudido de pé.

Mais história, mais horror, dessa vez, pelos olhos de uma criança: PERSÉPOLIS narra a implantação do regime democrático fudamentalista no Irã. É a história da diretora Marianne Satrapi. Sua vida...Começa inocente, repleto de piadas. O público ri, mas conforme a personagem cresce, sua maturidade evolui e, consequentemente sua consciência de mundo, a história fica séria. A técnica de animação usada é simples. Sem cor. Preto e Branco. Nada que desvie a concentração do público da estória contada. Melhor que muito filme americano, mereceu a indicação da França para o OSCAR e, se houver justiça merece até, o prêmio.

E então, veio SENHORES DO CRIME, de David Croneberg. Mais um bom filme do diretor, embora MARCAS DE VIOLÊNCIA seja melhor. Aqui ele narra a infiltração da máfia russa em Londres e conta uma estória muito simples, envolvendo prostituição infantil. O grande destaque é realmente o trabalho de Viggo "Aragorn" Mortensen. Sem dúvida, o filme é dele.

31.10.07

A Espanha na espinha do diabo

São Paulo (Dia 12): "1,2,3 Bate na parede..." Nada... "1,2,3 Bate na parede..." Houve-se o som de uma porta se abrindo... "1,2,3 Bate na parede..." Passos... "1,2,3 Bate na parede..." Crianças se aproximam... "1,2,3 bate na Parede..." De repente...

O susto! Quando o diretor Juan Antonio Bayona (NA ESPINHA DO DIABO) se junta com Guilhermo Del Toro (O LABIRINTO DO FAUNO), o resultado é um filme fenomêno de público na Espanha e em qualquer lugar que seja exibido. Finalista da Mostra SP, EL ORFANATO é um conto aterrorizante repleto de reviravoltas e sequencias de puro suspense. Todos os elementos genuínos estão presentes: Uma velha casa. Uma velha lenda. Um passado maldito. Algumas crianças. Portas batendo, Encanamentos rangendo, gemidos e respiros ofegantes. Vento gélido no pescoço. (Ou será apenas o Ar-Condicionado da Sala?). De repente um apito! (Alguém passou atrás de mim!) A paranóia está feita. Díficil não se envolver no filme, nas suas feridas, na suas marcas. Díficil também esquecer o filme do ano, um marco no gênero!

PLANETA TERROR, pelo contrário é um filme gratuíto. Uma grande brincadeira repleta, por sua vez, de zumbis, sangue, churrasco, sangue, pus, sangue, peitos e...mais sangue. É uma grande sátira aos filmes trash, um projeto interessante, bacana, muito divertido, mas Tarantino é melhor...

Assim como o livro de Gabriel García Marquez é melhor que sua adaptação para as telas. AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA é uma soma de pequenos erros que acabaram comprometendo o produto final: O livro, já se sabia, era de díficil adaptação. A fotografia, pouco pungente, não retratou a "paixão latina" de forma coerente. O excesso de luz comprometeu o trabalho de maquiagem que por sua vez, tentava maquiar a péssima escolha de elenco. (Alguns personagens envelheceram por maquiagem, outros com troca de ator, outros, caso de Fernanda Montenegro, sequer envelheceram.) A impressão que fica, é de uma direção pouco cuidadosa e apressada. Uma pena, mais um filme cotado ao OSCAR que fica pelo caminho.

SERKO, pelo contrário, mostrou iniciativa e atravessou um extensa jornada de 10000 léguas pela Rússia, para salvar os cavalos de seu povo, que estão na iminência de serem sacrificados para alimentar os construtores da Transiberiana. É uma velha lenda russa, contada em prosa. Bem simples, sincera. Bastante ingênua em sua narração. Um filme simpático.

Tão simpático quanto a direção de Jose Luis Guerín. EN LA CIUDAD DE SYLVIA foi o filme mais autoral e exigente exibido na MOSTRA SP, e o público acostumado ao apelo fácil de Hollywood se mostrou atento e interessado na proposta. Longas tomadas inspiradas no NeoRealismo de Michelangelo Antonioni, mas também com longos silêncios e ruídos, lembrando o francês Robert Bresson. Um cinema para poucos, mas muito bem feito.

Por fim, o russo O FAROL teve exibição comprometida pela péssima cópia digital. É uma discussão que fica em toda a MOSTRA. Vale a pena exibir um filme em detrimento da qualidade? Até que ponto vale o acesso à essas obras pouco conhecidas e difundidas? Ano passado, muita gente criou preconceito com EM BUSCA DA VIDA, justamente pela cópia ruim, será que valeu a pena?

Ser.Amar.Viver.

São Paulo (Dia 11): O dia foi um passaporte à fortes reflexões existenciais. Foram 4 filmes, cada um abordando um aspecto diferente da vida, mas todos em torno de uma questão em comum: Ser...Amar...Viver...Intensamente, e sempre.

ACROSS THE UNIVERSE adapta canções dos Beatles para uma história de amor entre dois jovens que vivem nos turbulentos anos 60. O ritmo da história é envolvente e Julie Taymor, que já se destacara na dimensão visual de FRIDA, utiliza o mesmo artifício, criando vinhetas que, por vezes, são muito mais inventivas que todo o resto do filme. É uma história jovial, alegre. Um filme moderno. Um conto de amor para os tempos de hoje que agradou muito o público presente, a maioria estudantes.

"Só viveu aquele que realmente amou uma mulher". A frase é o grande tema de FANTASMAS, filme de Jean Paul Civeyrac, homenageado na Mostra com uma retrospectiva. Aqui, coisas misteriosas ocorrem...Pessoas desaparecem sem explicação, exceto àquelas que fazem amor. A história gira em torno de Antoine, um rapaz entediado que larga tudo em busca de um sentido na vida. E o sentido é o sexo. O prazer em tatear o corpo de uma bela mulher. De lhe dar prazer. Como todo filme francês, é uma história centrada em dialogos e no ser humano, sem pudor ou delongas.

O australiano UM VERÃO PARA TODA VIDA é um filme de descobertas. O primeiro romance. O primeiro beijo. A primeira "experiência". Gira em torno de uma paisagem paradisíaca, durante um verão, contando as experiências de 4 orfãos que vão descobrindo pequenos valores como amizade, família e amor. Uma histórinha bem simpática, meio clichê, mas com claro objetivo de comover os "corações mais exaltados".

Por fim, Sean Penn entrega INTO THE WILD, um filme soberbo com uma surpreendente performance do jovem Emile Hirsch, como um abastado rapaz que doa todas as suas economias e pertences, abandonando sua faculdade, para viajar pelas estrada, inspirado pelo trabalho de Jack London e Tolstoy, ambos engajados com a introspecção da natureza e do homem em si.

O filme não é sobre possuir, mas viver e embora Chris se afaste da sua vida original, ele vive verdadeiramente, mas do que qualquer um em torno dele. Há um forte elenco de apoio nesse elenco, como William Hurt e Marcia Gay Harden, como seus pais e Jena Malone como a sua irmã que por ama-lo, deixa-o partir...Uma direção impecavelmente justa.

29.10.07

O assassinato de George Bush pelo covarde terrorista palestino

São Paulo (Dia 10): 19 de Outubro de 2007. O Presidente Bush está em Chicago para um encontro com líderes locais. Uma grande manifestação contra a guerra está formada. Após o discurso, Bush insiste num encontro com as lideranças no lobby do hotel Sheraton. São 17h11min. Um tiro. O Presidente é atingido e levado ao hospital. Morre após cinco horas.

MORTE DO PRESIDENTE foi concebido como um falso documentário e combina material audiovisual de arquivo e entrevistas cuidadosamente elaboradas, apresentadas de forma respeitosa e dignificante. Boa premissa (Boa idéia...). Filme polêmico boicotado pelas redes Regal Entertainment Group e Cinemark USA. Mas MORTE DO PRESIDENTE não chega a ser um fiasco, pelo contrário...

E mais assassinatos...Dessa vez, de uma das maiores lendas americanas: Jessie James. Mas O ASSASSINATO DE JESSIE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD vai além de um mero crime. O filme adquire características bíblicas com o assassinato, retratado de tal forma que lembra o sacrifício de Jesus, traído por Judas, diante dos olhos de Maria Madalena. Mas apesar da fotografia cuidadosa, narração fora de cena e da encantadora presença de Brad Pitt, a história da vida privada do bandido - bonito, forte e carismático é excessivamente longa (com três horas de duração).

O que há de mais fascinante nesta nova versão (realista) do mito é que o assassino, esperando a recompensa da sociedade - afinal, ele eliminou seu inimigo público número 1 -, colhe o desprezo. É muito perturbador. Brad Pitt ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza e o júri não errou, embora também pudesse ter premiado Casey Affleck e Sam Rockwell, que estão no elenco. Merece o ingresso!

28.10.07

Mariane Pearl

São Paulo (Dia 9): Interpretar Mariane Pearl, mulher do jornalista do "The Wall Street Journal" Daniel Pearl, provavelmente foi o maior desafio da carreira de Angelina Jolie até hoje. O repórter foi seqüestrado e decapitado por militantes islâmicos em 2002.

O que se vê em O PREÇO DA CORAGEM é um retrato de caos e confusão: Mariane, a inteligência paquistanesa, funcionários do consulado dos EUA e os colegas de Daniel no jornal procuram sem sucesso localizá-lo com pistas de e-mails, celulares e trabalho de investigação policial convencional. Um belo trabalho de cinema investigativo do sempre competente Michael Winterbottom. Além de Jolie, merece destaque a bela fotografia do filme, repleta de imagens da vida e costumes do Paquistão.

INVISÍVEIS é um conjunto de curtas produzidos pelo grupo MÉDICO SEM FRONTEIRAS. São na maioria depoimentos sobre guerras cívis e doenças do terceiro mundo captados por grandes cineastas. Pena que foi exibido em cópia digital.

Jia Zhang-ke, um dos cineastas chineses mais ousados de sua geração, atinge um patamar inquestionável que ultrapassa todos os exotismos e esteticismos que ainda servem de foco para muitas platéias ocidentais. Com um título não menos abrangente do que o retrato que consegue traçar, O MUNDO fala da vida hoje, partindo da premissa de um parque de diversões que recria monumentos das principais capitais do mundo. Ali, as pirâmides egípcias estão a dois passos do Big Ben londrino e da Torre Eiffel parisiense avistam-se as torres gêmeas do World Trade Center ("que esqueceram de destruir").

E na abolição do espaço, ganha-se amplitude de significados quando Jia mergulha na humanidade que habita esse mundo, através de vidas contadas por histórias de amor e de dor. Como os monumentos que habitam, seus personagens estão a passos uns dos outros, mas para tentar se comunicar precisam de celulares. Genial!

Brass Band

São Paulo (Dia 8): Tuba, Bumbo e Clarinete. Eis os grandes personagens de VOCÊ OS VIVOS, do sueco Roy Andersson. Um dos grandes destaques da mostra "Um Certo Olhar" do Festival de Cannes e, porque não, da Mostra SP. A trilha Brass Band acompanha toda os esquetes do filme, cada um contando uma historinha ou "gag" fechada.

Os esquetes quase sempre se situam em cenários do cotidiano como escritórios, apartamentos, bares ou restaurantes. Muitas vezes são filmados como "tableaux" que se parecem com "cartoons"; outras, ganham tom fantástico, delirante. As situações, em geral, exploram aspectos patéticos do ser humano, mas Andersson consegue fazer isso sem cair em um tom depreciativo.

Antes, foi possível conferir CONTOS DE TERRAMAR, filme menor de Goro Miyazaki, filho do mestre Hayao Miyazaki. Deve ser díficil seguir a sombra do pai e aqui, ele tenta criar sua marca. Filme menor, história menor, técnica menor. Há muito ainda ao jovem aprender, mesmo assim, para os fãs de animês, CONTOS DE TERRAMAR têm seus encantos.

Por fim, ANTES QUE EU ESQUEÇA é um filme sobre a homossexualidade na terceira idade. Repleto de cenas gratuítas, não valeu o ingresso.

26.10.07

Orgulho e Preconceito

São Paulo (Dia 6/Dia 7): O cerimonial de filmes nacionais da MOSTRA SP é um caso à parte. Começa com os "recadinhos" da Mostra, depois passam a palavra ao diretor, que muito orgulhoso pede confetes e a seguir chama toda a "equipe" que o auxiliou. Não importa que a sessão esteja atrasada 30 minutos, tão pouco que a única pessoa do filme, além do diretor, seja a tia-avó do primo em 2º grau do auxiliar de maquiador. Enfim, tudo é festa.

No caso de VIA LACTÉA, tudo se repetiu...Lina Chamie anunciou com grande alegria que finalmente seu filme retorna a casa, depois de uma bela temporada de Festivais Internacionais e que seu filme era uma grande homenagem à São Paulo. Mas me desculpe, Lina, São Paulo é mais que cenas de transito e viaduto do chá. Como sempre, mais um "filme mundo-cão" onde os personagens, sempre solitários, vivem numa cidade congestionada e violenta. Chato e cabeça, foi uma grande decepção.

Antes, deu tempo de conferir O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN, outro filme bobinho "água com açucar". Daqueles que certamente fariam Jane Austen se revirar no túmulo. Poderia ser um grande filme, mas é clichê demais. E, infelizmente o único interesse nos livros de Austen é se "Mr. Darcy" tinha desejos por uma ou outra personagem. Desprezível...

E então, descobri que a cópia de KARGER (Alemanha) ficou presa em Campinas. No lugar, escalaram um filme da retrospectiva da FEPASCO, um filme de Marrocos, chamado ALI ZAOUA. O preconceito gelou a espinha do público que corajosamente entrou na sala de exibição como "boi no matadouro". Mas no fim foi uma boa surpresa. Era sobre um grupo de meninos de rua que preparavam-se para enterrar seu companheiro, morto numa briga de gangues. Um belo filme.

DESEJO E REPARAÇÃO é mais um filme impecável de John Wright. No entanto é uma história de amor fria, que não provoca lágrimas, nem suficiente emoção. É um bom filme, muito bem feito, muito bem interpretado, um pouco triste, um pouco amargo. Há alguns momentos espetaculares, dignos de serem vistos e prestigiados, até mesmo de ganharem indicações ao Oscar. Mas não vejo muito como lhe premiar.

É um grande épico romântico, meio DR. JIVAGO, onde o clímax não é o reencontro do casal. E o prazer é se ver, numa história bem contada, um elenco fotogênico e bonito. Só não tenho certeza se queria ouvi-la ou se ela acrescenta alguma coisa que já não saibamos sobre a natureza humana ou a passagem inevitável do tempo. De qualquer forma, não é um fracasso, o que já é muito. Mas também não é o grande filme que se esperava.

Por fim, NO VALE DAS SOMBRAS deveria ser posto em continuação com REDACTED. Com linguagens e propósitos diferentes, tratam do mesmo assunto, os efeitos deletérios da invasão do Iraque sobre os próprios Estados Unidos. Um belo e intenso filme na maneira como é construído e interpretado. Seria ocioso falar de Tommy Lee Jones, que se impõe na tela, como de hábito. Charlize também não está mal, e o par se conduz numa progressão que, no fundo, é clássica. Aquela da descoberta de uma incômoda verdade, que de fato não se quer ver.

24.10.07

Os Fantasmas

São Paulo (Dia 5): Foi um dia repleto de "fantasmas" na Mostra. Começou com SOMBRAS DE GOYA, do tcheco Milos Forman, que retorna o mesmo estilo de AMADEUS, nesse filme sobre a terrível inquisição espanhola no príncipio do séc XIX.

As sombras do título referem-se aos personagens que gravitam em torno de Goya, Javier Bardem faz o mais fascinante, o inquisidor da Igreja Católica que vira agente de Napoleão. Forman mostra como a pintura retrata a história, por meio de uma narrativa cheia de reviravoltas e de personagens que revelam o que há de melhor e pior no ser humano. Um filme injustiçado pela crítica, menor que AMADEUS, mas nem por isso pior quanto.

CASHBACK é uma grande surpresa. É uma extensão de um curta homônimo indicado ao Oscar em 2004. Na realidade o curta foi um laboratório piloto desse grande filme que narra os dilemas de um jovem estudante de arte, como amor, trabalho, amizades, tempo e destino. O roteiro é poético, quase melancólico, povoado com grandes momento de catarse. O ator que vive o jovem (Sean Biggerstaff, o capitão de Quadribol de Grifinória em Harry Potter) impressiona em seus dilemas existenciais muito bem trabalhados pelo promissor diretor Sean Ellis.

A narrativa de A DESCONHECIDA (LA SCONOSCIUTA) é cinematográfica. Giuseppe Tornatore invoca o cinema, sem sequer mencioná-lo. Invoca aquilo que o cinema tem de mais vulgar, manipulativo, popular e barato, explicitamente à Hitchcock. É uma reviravolta na filmografia do diretor. A direção é precisa e recria uma claustrofobia paranóica. A trilha de Ennio Morricone é tensa e não dá descanso ao público que roi as unhas em busca dos fantasmas de uma mulher ucraniana, a tal desconhecida. É um dos melhores suspense de todos os tempos. E para sorte de todos, deve estrear em circuito nacional.

Por fim, 4 MESES 3 SEMANAS E 2 DIAS, reflete os fantasmas do aborto numa Romênia comunista. É um filme bem forte, mas não necessariamente espetacular. A Palma de Ouro poderia muito bem ter ido para DO OUTRO LADO ou PERSEPÓLIS. Filmes mais instigantes e mais bem realizados...
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