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10.10.07

Hector Babenco renuncia às mazelas sociais e opta pela poesia

Cidade do México: No dia 18 de outubro acontece a já tradicional abertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no Auditório Ibirapuera. O filme escolhido para a 31ª edição é O PASSADO, novo filme do diretor Hector Babenco, estrelado por Gael García Bernal. A produção Brasil-Argentina é inspirada no livro do argentino Alan Pauls, que aborda o tema da relação amorosa pela perspectiva da separação e da memória.

Babenco e Bernal estarão presentes nos primeiros dias da Mostra. Babenco, além de ter seu filme exibido na abertura, também assina o cartaz deste ano. Bernal está presente em quatro filmes da Mostra, como diretor de DÉFICIT, produtor de COCHOCI e protagonista principal em O PASSADO e SONHANDO ACORDADO, de Michel Gondry.

Babenco disse que há algum tempo renunciou à interpretação "da crueldade do cotidiano da América Latina" nos seus filmes, optando por ser mais poético.

"Eu já estou cansado de querer descobrir um pouco em meu cinema a verdadeira identidade das pessoas que realmente padecem com a injustiça social, agora estou muito mais interessado (...) em ser um pouco mais poético, um pouco mais leve, mais próximo do meu sentir do que do meu pensar", apontou o diretor em uma entrevista coletiva.

Ao apresentar no México seu mais recente filme O PASSADO, Babenco acrescentou que apesar de ser "impossível abstrair a crueldade do cotidiano da América Latina", prefere "ser menos pretensioso" em seus filmes.

"Estou um pouco mais preocupado em me tornar um ser menos pretensioso", enfatizou o diretor de O BEIJO DA MULHER ARANHA e CARANDIRU.

Babenco, de 61 anos, lembrou que sua geração "ia buscar a resposta nos livros", e agora, com o poder da televisão, afirmou não saber se há perguntas. "Vivemos a velocidade sem sentido, não interessa à maioria fazer perguntas básicas da existência: Quem sou? De onde venho? Deus existe?".

O PASSADO, que estreou nesta terça-feira na Cinemateca Nacional da Cidade do México, narra a separação de um jovem casal e as dificuldades que os dois enfrentam quando tentam refazer suas vidas.

Por Leon Cakoff e Agência AFP

7.10.07

O Homem-Placa

São Paulo: O cineasta Hector Babenco, argentino naturalizado brasileiro (e paulistano), viu a Mostra nascer. Seu filme LÚCIO FLÁVIO – O PASSAGEIRO DA AGONIA foi um dos 23 filmes exibidos na 1ª Mostra, em 1977, e venceu o Prêmio do Público. Seus dois maiores sucessos desde então também foram exibidos no evento: O BEIJO DA MULHER ARANHA foi um dos grandes destaques da 9ª Mostra (1985), e PIXOTE – A LEI DO MAIS FRACO mereceu uma exibição especial na 18ª Mostra (1994).

Neste ano, Babenco retorna com uma forte presença na 31ª Mostra. Babenco idealizou e posou para a imagem do pôster deste ano, um homem-placa do centro de São Paulo. Um desenho estilizado da sua figura, de calças pretas, boina e óculos escuros, ilustra a vinheta que vai preceder a exibição dos filmes, numa arte que mimetiza o caos e o dinamismo paulistanos, usando como identidade as cores amarelo e cinza – bem diferentes do vermelho predominante na edição do ano passado. Por fim, seu 10º longa, o ainda inédito O PASSADO, uma co-produção Brasil-Argentina estrelando o mexicano Gael García Bernal, foi escolhido como o filme da abertura da 31ª Mostra, no próximo dia 18 no Auditório Ibirapuera.

Pensando em um conceito para o pôster, Babenco quis abandonar os clichês das artes e desenhos sobre cinema (tela, projetor, película etc.), buscar uma imagem urbana e bem-humorada e associar a Mostra a “uma garimpagem de ouro e preciosidades culturais para a cidade”. Babenco serviu de modelo. Em uma manhã movimentada na rua Barão de Itapetininga, posou para cerca de 600 fotos durante cinco horas. Munido de um maço de notas de 10 reais, “alugava” as placas dos ambulantes para tirar as fotos. Na imagem escolhida, ele empunha uma placa quadrada onde se lê “Compro Ouro, Platina e Brilhantes”, enquanto “veste” no próprio corpo um banner amarelo anunciando a Mostra.

“Me senti um Jacques Tati”, brinca Babenco. As fotos foram feitas por Armando Prado e Marcos Camargo, e a direção de arte do pôster é de Marcelo Pallotta.

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