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26.11.07

Foi Spoiler


"O que eu espero senhores, é que depois de um breve período de discussões todos concordem comigo"
Winston Churchill - Post de abertura - 26 de Novembro de 2003

"Parabéns! Tá parecendo coisa séria, filho"
Meu pai comentando a resenha de "Simplesmente Amor" em 26/11/03

"Vi "Sobre Meninos e Lobos" antes de ontem. Gostei muito. Gostei principalmente das sensações que o filme provoca na gente e que, minutos depois, algum personagem explicita. Parece que a gente "ajudou a construir o roteiro". O filme acaba e, mesmo tristes, a gente sai em paz."
Camila comentando os indicados ao Prêmio Spoiler de cinema em 22/01/04

"Could Moutain é bem montado e dirigido, as atuações são boas; mas o filme não empolga e nem emociona (mesmo minha namorada tendo chorado o filme todo). Já o Mestre dos Mares é um gde fracasso. Oh! Filme chato! Tem uma história básica de perseguição, mas não é empolgante; e o bom ator Russel está muito mal nesse filme, com um sorriso sarcástico-sem-razão-de-ser o tempo todo"
Daniel comentando a resenha de "Cold Mountain" em 16/02/04

"Senhor dos Anéis é disparado o melhor filme! Ninguém se compara a ele, Jackson realizou um excelente trabalho, encorporando o espírito do livro ao filme, com ótimas trilhas musicaiss e efeitos especiais, que fizeram George Lucas ficar de queixo caido. Posso dizer que mesmo premiado com esses 11 ainda foi muito injustiçado merecia muito mais não acham?"
Fábio comentando a premiação do OSCAR em 02/03/04

Marfil, vamos ao que interessa de fato, fiquei encantada com o seu comprometimento, paixão é isso mesmo, entrega total. Parabéns. Vim aqui através do blog da Camila, não é a primeira vez, mas hoje deu uma vontade muito grande de expressar o que tava sentindo. Parabéns mesmo, fiquei encantada. Gosto muito de filmes e aqui sempre tem boas informações.
Rosani comentando a premiação do OSCAR em 02/03/04

"Assisti Cidade de Deus acho que umas 6 vezes"
Samuel L. Jackson

"As cinco indicações ao OSCAR deste ano refletem que o cinema brasileiro é bom"
Fernanda Montenegro

"Marfil, esse é o melhor site de cinema que eu conheço. Parabéns!"
Finado comentando a biografia de Roman Polanski em 08/03/04

"Marfil, quase desisti de ler quando vi tudo em aramâico...olha...eu levei quase uma semana p/ ver este filme. Foi um pouquinho cada dia. Eu diria que foi o mais violento de todos que já vi!
Adriana comentando a resenha em aramâico de "Paixão de Cristo" em 19/03/04

"A pantera cor de rosa é como Chaplin: Muda, engraçada e eterna"
Finado comentando a produção do remake de "A Pantera Cor-de-Rosa em 15/03/04

"Ah, era uma coletiva?"
Camila comentando a entrevista exclusiva de Roman Polanski no Brasil em 25/03/04

"Faço cinema da mesma forma que faço um esporte, que como, que faço amor. Amo esse trabalho. É sobretudo uma forma de satisfação. Essas perguntas são para teóricos, críticos, não para pessoas como eu, que criam."
Roman Polanski

"Documentário pra mim é como pipoca: se me perguntarem se eu quero, direi que não. Se aparecerem com um saco na minha frente, eu devoro vorazmente... "
Camila comentando o Festival Internacional de Documentários em 29/03/04

"Oi Marfil, toda vez que se faz dez mais tem sempre um chato pra transformar os dez em cem mais, então lá vou eu: Faltam italianos aí: Nós que nos amávamos tanto (Ettore Scola) Faltam franceses aí: Noite Americana (François Truffaut) Ainda bem que o Kurosawa veio, mas achei falta de alguma coisa do sempre não valorizado Frank Capra. Eu falei....rs, vai em frente, adoro seu blog"
Bera comentando sobre os maiores dramas da história do cinema em 13/04/04

"Vc me fez chegar a uma conclusão com essa merecida homenagem ao Cukor: baita dívida os americanos têm para com os imigrantes quando se fala em cinema, né? Fiquei contente por vc ter o Capra (A felicidade não se compra) entre seus top 20. Gosto dele como criança gosta de sorvete"
Bera comentando sobre a biografia de George Cukor em 14/04/04

"Pode ser teoria da conspiração, restinho de anti-colonialismo, desconhecimento ou até burrice mesmo, mas eu desconfio desse Moore. Alguma coisa nos nossos santos não batem"
Bera comentando a resenha de "Tiros em Columbine" em 23/04/04

"Caramba, como vc já viu Kill Bill? Eu quero ver esse filme..."
Pivo comentando a resenha de "Kill Bill" em 23/04/04

"Aaaahhh, vc quis dizer Brad Pitt, foi?!"
Pernambaiano comentando a resenha de "Tróia" em 09/05/04

"Monty Pyton é simplesmente sensacional! Pena que, da última vez que exibi A Vida de Brian para alguns amigos, muitos "dormiram": ao contrário das comédias mais recentes, os ingleses obrigam o espectador a prestar muita atenção nos diálogos, onde está toda a graça..."
Marmota comentando a biografia do grupo Monty Pyton em 26/05/04

"A.I., robôs versus Lando Buzzanca. Talvez, escondida em suas resenhas maravilhosas uma das maiores antíteses que eu já vi, de épocas que vivi. Das risadas com o Lando Buzzanca ao prazer do Isaac Asimov."
Bera comentando a resenha de "Os Intrépidos Homens e suas Máquinas Maravilhosas" em 07/06/04

"Pensei que o Jack Black ia fazer o papel do King. Se deixarem ele faz."
Bera comentando a pré-produção de "King Kong" em 07/06/04

"...Quando eu quiser saber algo do James Bond eu venho buscar nos teus arquivos..."
Pernambaiano comentando a biografia especial da cinessérie "007" em 11/06/04

"Vin Diesel é um cara legal..."
Jayme comentando a entrevista com Van Diesel em 15/06/04

"Ne Me Quitte Pas"
Van Diesel

"Madonna!! O Pinochio de calcinha? ....................espaço para a quebra de uma das vigas sustentáculo da minha ítalo infância!!!"
Bera comentando a resenha de "Shrek 2" em 18/06/04

"Deus me livre de um filme sem um pouco de choro"
Juliane Moore

"Até que a lista tá legalzinha, mas faltou - por exemplo - O Homem-Lagosta Verde de Marte (uma obra-prima do trash)."
Daniel comentando a seleção de filmes de terror em 12/07/04

"Kaufman tem um humor infame parecido com o meu... acho que é por isso que eu gosto tanto de seu trabalho (fora o fato do cara ser um genio)"
Jayme comentando a resenha de "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" em 20/07/04

"Já li coisas escritas sobre mim em que disseram 'ele é um animal'. Mas na verdade sou um sujeito gentil. Isso é algo que herdei de minha mãe."
Colin Farrel

"Eu não sou jovem de periferia mas se pela primeira vez tivesse a oportunidade de realizar um filme, faria sobre os gansos do meu vizinho"
Adriana comentando o inicio do Festival Internacional de Curtas em 27/08/04

" O que você escreve às vezes tem duplo, triplo, ou até quádruplo sentido...
Adriana

"Eu já entro aqui fazendo pose! É que sua página abre tão rapidinho e o moço da máquina fotográfica é o primeiro que aparece na minha tela, que eu já faço caras e bocas pra ser clicada!"
Bia em 01/10/04

"Meu véio diria: "Farvést tem que ser com o Jôn Váine" Bem contra o mal sempre tão claro e visível, acho que isso é uma aspiração de todo mundo, talvez por isso tantos gostem dos westerns."
Bera comentando a lista de faroestes em 04/10/04

Marfil, vc que faz todas estas perguntas e faz todos estes posts sozinho? Sabe, tem horas que penso que tem uma equipe de umas 15 pessoas trabalhando pra vc neste blog. Vc não põe seus pais, avós, esposa, filhos pra trabalhar, né?!
Adriana comentando a cobertura de SPOILER ao Festival Internacional de Cinema de São Paulo

"Nossa, imagine o que esse cara faria com a geladeira enferrujada lá de casa!"
Neto comentando a resenha de "O Lado Oculto da Lua" em 29/10/04

"Parece que o Pacino deu um tempo nos filmes comerciais né. Que bom ..."
Hugo Leonardo comentando a resenha de "O Mercador de Veneza" em 31/10/04

"Dizem que Audrey Tautou é uma atriz irregular, ora brilhante, ora fosca, mas não acompanho nada a respeito para opinar."
Marcelo Batalha comentando o making of de "Un Long Dimanche de Fiançailles" em 09/11/04

"Fanático por Oscar (e por cinema em geral) ? Somos dois, Marfil. Mas sem tecnicismos: o amor pela sala escura e sua magia é o que me move e emociona."
Marcelo Batalha em 18/11/04

"listar tb exige arte, querido. E vc é artista dos bons, isso é evidente. Mas entendo q listar, relacionar é como coçar: basta começar. ( texto ruim mas foi absolutamente inevitável.Perdoe sua modesta leitora)"
Amita em 22/11/04


"Tu tens o amor pelo cinema como o que tenho pela música e pela arte em si. Cinema é arte. Cinema tem Luz. Eu sou deslumbrada por Luz! E então, Marfil, tornamos, todos nós, o mundo iluminado...
Maria comentando o post de aniversário de 1 ano em 26/11/04

Leonardo di Caprio concorre a um prêmio de melhor ator? - O mundo acabará. Chegou a era do apocalipse!
Daniel comentando os indicados ao Globo de Ouro em 12/12/05

"Meryl Streep é uma dessas atrizes q entende profundamente os porquês e os senãos da arte dramática, e faz a gente ter orgulho de ser mulher. Ela tem o dom de me emocionar só de pensar!"
Amita comentando a entrevista de Merly Streep publicada em 17/12/04

"Melhor maquiagem A Paixão de Cristo? Aquele monte de sangue (mais parecia Q-suco)? É...não entendo mesmo de cinema!"
Adriana comentando as previsões do Oscar 2005 em 21/12/04

"A festa do oscar é ridícula, é o auge do brega aquelas roupas aqueles musicais,não há algo mais ridículo não vejo o oscar há anos e não verei de novo.Mas tudo isso não impede que haja bons filmes,atores e atrizes em Holywood.
Um anônimo dando sua opinião na abertura da cobertura oficial de Spoiler no OSCAR 2005

"Numa entrevista, perguntaram-me sobre os comerciais que fui chamado para criar depois que me tornei famoso. Contei então uma história sobre o último roteiro para um comercial que escrevi. Era um filmete publicitário para um banco que pretendia se anunciar como hiper-seguro. Então, pensei na seguinte estória: dois ladrões entram no banco e gastam todo o tempo tentando perfurar a caixa-forte - e, enquanto eles perdem tempo na tarefa, a polícia recebe o alarme e corre para a agência assaltada (dá pra imaginar que aqui seria uma narrativa com a clássica estratégia do suspense através da montagem paralela). Pois bem, quando enfim os bandidos terminam de abrir o cofre, já cercados pela polícia, eles descobrem que lá dentro não há nada além de um bilhete, onde se lê que "este banco está falido devido ao cachê de Federico Fellini"...
Federico Fellini

Eu me sinto muito próximo da cultura musical brasileira. Aprendi a falar português só de ouvir cantores brasileiros, especialmente João Gilberto. O mais importante é ser indicado por um filme tão lindo e no contexto que é, num ano tão conservador nos EUA
Jorge Drexler

"Apesar de abominar filmes românticos, especialmente os que têm guerras como pano de fundo, vou conferir"
Gustavo comentando a resenha de "Eterno Amor" em 11/03/05

"Filme de terror só acompanhada de um moço com braços fortes pra que sejam devidamente apertados e mordidos nas horas de susto"
Bia empolgada com a resenha de "O Chamado 2" em 22/03/05

"Bem, não creio que Gladiador seja superestimado. É, de fato, um bom filme. Agora, sobre Cruzadas, a única coisa que me intriga é esse Orlando (mocinha) Bloom. Ainda espero ele fazer algo BOM (o que, convenhamos, não ocorreu em Piratas do Caribe e em SdA), antes de poder falar bem do rapaz...
Jayme comentando o spoiler de "Cruzada" em 10/04/05

"Mais um filme, "morte ao oriente, o ocidente é melhor desde os tempos mais antigos"
André comentando a resenha de "Cruzada" em 26/04/05

"Gostei muito da estória da menina que vira anciã e a dos pinguins "psicóticos"... "
Adriana comentando "Madagascar" e "O Castelo Animado" em 31/05/05

Queria uma câmera digital...
Maitê empolgada com o artigo sobre cinema digital em 05/06/05

"As Horas....um dos roteiros preferidos, com atuações impecáveis, trilha eleita para texto epecialmente solicitado, virginia, mulher para todas as horas, as lentas, as que passam voando, as de ontem e de amanhã. As minhas andam limitadas pela vida que urge em tempo, mas as de dentro são longas e duradoras.
Amita comentando a resenha de "As Horas" em 21/06/05

"O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus"
Oswald de Andrade

A resenha de "As horas" é meu último post publicado em Spoiler...Estou cansado, deprimido, triste, tal qual as personagens do filme...
Eu em post que jamais publiquei, mas pretendia fazê-lo em 21/06/05

"É lendo coisas como essas que a gente descobre - relembra - que foi uma criança feliz... "
Marvin comentando a biografia de Walt Disney em 02/07/05

"N posso ver a Natalie dessa forma, q dói.. hehe. Mas como diria um importante poeta moderna: "faiz parte". (nota pessoal: esse foi o comentário mais tosco q eu já deixei)."
Tiago comentando o novo visual de Natalie Portman para "V de Vingança" em 29/07/05

"É a Jessica Alba? Vai matar o tio do coração dançando daquele jeito!!!"
André comentando a resenha de "Sin City" em 29/07/25

"O filme do Zezé e Luciano vai ter sessão especial... vergonha, eu tenho vergonha..."
André indignado com a exibição de "2 Filhos de Franscisco" em Gramado em 15/08/05

"Eles cantaram uma música gaúcha?? Ah não! Qual foi??? Ah, deixa, melhor não saber. "
André ainda indignado em 17/08/05

"Sabia que vc estaria na sala de "gente-cabeça" do cinesesc mas o unibanco vc havia dito para fugir desta como o diabo foge da cruz?! Quem dera que eu pudesse ir...podia até não reconhecer a pasta verde mas sou capaz de apostar que vc estaria com um terno e chapéu laranja, com uma máquina fotográfica frente ao rosto e ao lado de uma estatueta do oscar"
Adriana curiosa com meu "look" em 26/08/05, durante o Festival de Curtas

"Êta Brasil! Eles sabem que existimos, reconhecem nossas habilidades e qualidades, mas quando é que nós nos descobriremos?"
Jacque, um pouco ufanista em 07/10/05

"Acabei de voltar do Cinemeira e vi que você encontrou com o Rubens Ewald Filho! "Eu adoro ele" desde os tempos em que ele fazia um programa de cinema na antiga TV manchete e escrevia na revista Vídeo News! Ai, que inveja de você, Marfil! "
Jacque em 30/10/05

"Stanley Kubrick atras de Spielberg?? Stanley Kubrick deveria estar no minimo entra os cinco primeiros....o cara que fez esta lista é uma mula!!!! "
Fausto, um pouco exaltado com a lista de TOP100 Diretores em 09/11/05

"Marfil, nesta altura do campeonato você já deveria ter sido canonizado! Hehehehehehe Matérias excelentes e de fato inéditas em nossas mídias brazucas. Seus posts são superiores a Revista Set (que já descartei) e numa qualidade equiparável a da Revista Bravo! Com o perdão do trocadilho: Bravo Marfil!"
Thiago comentando a entrevista de Lars Von Trier em 10/11/05

"ADOREI a história de Greta Garbo e essas fotos passando! Eu assisti Dama das Camélias! Ela era realmente muito linda. "
Jacque comentando a biografia de Greta Garbo na segunda-feira

"Muito interessante, Marfil...Abração!"
Domingos Tucci, sempre presente...

" Poxa, cheguei perder o fôlego aqui...Muita ainformação.."
Maitê, comentando a cobertura do OSCAR 2006

"... e é justamente esse tipo de filme que mais me atrai. Não sei porque, talvez por achar que esse estilo traga (quase) sempre boas histórias e boas atuações..."
Luiz, comentando a resenha de "Capote" e "Boa Noite e, Boa Sorte em 06/01/06

"Well, merecidíssimo. Já era tempo. Um diretor revolucionário, mas ainda bem, reconhecido a tempo"
Adelaide, comentando o Oscar especial entregue à Robert Altman

"Uau! Obrigado a todos que votaram em mim e aos membros da Academia Spoiler de Artes e Ciências Bloguísticas e Cinematográficas!"
Inagaki, comentando o 3º Prêmio Spoiler de Cinema e Blog 2006

" Foi impossível não pensar em você durante a transmissão do Oscar! E quando Crash levou a de melhor filme...quase caí do sofá"
Jacque, comentando o Oscar 2006

"As comédias me deprimem, me deixam vazia"
Juliette Binoche , na coletiva de "Caché"

"Ah...isso de vaiar acho medonho por pior que seja o filme. Podiam ficar apenas sem bater palmas. Tadinha da diretora, vou até assistir esse filme."
Adriana, comentando a repercurssão de "Maria-Antonieta" em Cannes

"Obaaaa, tem filem novo do Woody!"
Tiago, comentando a resenha de "Scoop" em 26/07/06

"essas histórias fazem parte da vida... além disto Yimou retoma aquele intimismo e ternura de Nenhum a menos, sem falar na belissima fotografia, e aquela, pra mim inesquecível, cadeia de montanhas chinesas..."
Tarcila, comentando a resenha de "Um Longo Caminho" em 28/10/06

"Altman amava fazer filmes. Ele amava o caos das filmagens e a socialização entre equipe técnica e atores -ele adorava atores-, amava a ilha de edição e gostava especialmente de ficar sentado na sala de projeção assistindo ao filme várias vezes seguidas. Ele não ligava para o retorno financeiro das coisas, não dava bola para a publicidade, mas, quando trabalhava, estava no céu"
Garrison Keillor, Radialista, comentando a morte de Robert Altman em 22/11/06

"Ainda não vi CASSINO ROYALE, mas agora os anti-Craig que armaram piquete contra ele e o filme terão de ruminar sua rejeição em silêncio. O sucesso foi absoluto!"
Gustavo, comentando a resenha de "Cassino Royale em 09/12/06

"huuummm.. huuummmm. quanta generosidade com um filme tão medíocre!!! e com o Di Caprio então?? que gracinha a estorinha de livrar o companehiro de filmagem...."
Um anônimo comentando a resenha de Diamante de Sangue em 06/01/07

"Ja é possível ouvir os tambores....Bacana demais isso \o/"
Bill, na expectativa do Prêmio Spoiler de Blog

"Adorei o comentário: "Jacque é a primeira mulher da história a receber um Spoiler pelo conjunto da Obra." Tô rindo até a orelha de satisfação!"
Jacque, grata pelo seu Spoiler Benemérito entregue em 2007

"Cara, você viajou totalmente! Tendência dark o quê! O uniforme negro é a adaptação de uma das histórias mais icônicas do Homem-Aranha, e desde o fim do primeiro filme já se especula sobre a presença de VENON na franquia. O fato é que você citou 11 de setembro, Vietnã, e até a droga do Baby Boom, mas não mencionou nada sobre o filme do Aranha. Para um comentarista de cinema, você foi bem sociólogo. Enfim, muito infeliz no seu comentário (ou na falta dele)."
Cláudio Sant'Ana, indignado com a crônica publicada em 25/01/07 sobre a predominância de uma fotografia sombria nos cinemas

"Genial o pôster oficial com as frases eternas do cinema. E, pelas barbas de Spielberg (que recebeu sua 12ª indicação hoje), quanta zebra nessas indicações, hein?"
Gustavo, surpreso com os indicados ao Oscar 2007

"Sabe, eu acho meio chato que os mexicanos queiram respeito. E ficam nessa tecla. Mas Babel é um lindo filme. Abs"
Maitê, comentando o boom de mexicanos no Oscar em 25/01/07

"Gostei da seleção dessse ano (filmes muito esperados, com certeza), mas gostaria que ao menos um dos candidatos brasileiros fosse selecionado. Acho que o Kar-Wai tem grandes chances de levar a Palma de Ouro, mas torço para o David Fincher com "Zodíaco" - que a cada dia se torna o filme mais esperado por mim nesse ano. Também tenho muita curiosidade no novo projeto de Gus Van Sant, que se tornou um dos melhores diretores atuais depois de "Elefante". Acho que "No Country for Old Men" tem muitas chances, especialmente entre os roteiros."
Vinícius, comentando a seleção do Festival de Cannes

"Chegou a hora...
Estou definhando e ainda tenho que enfrentar as horas...
Seria ótimo dizer que me arrependi...Seria fácil...mas o que isso significa? O que significa se arrepender quando não se tem escolha? É o que se pode aguentar...
Era a morte...Escolhi a vida! e enfim, conhece-la...Ama-la pelo que ela é! E depois descarta-la...
Sempre os anos que foram nossos...
Sempre os anos...
Sempre o amor...
Sempre as horas..."
Nicole Kidman, na última publicação do Spoiler no domínio blogger.com

"Por um segundo, quando comecei a ler o texto, cheguei a pensar que era o fim do Spoiler. *bate na madeira*"
Tiago, assustado...

"Que cresca mais, que vire um portal, onde a tecnologia nos permita ver filmes, debater, baixar filmes free, quem sabe até comer uma pipoca com guaraná...."
Bera, comentando a nova proposta do Spoiler em novo domínio

"Marfil, Belo ensaio e contribuição cinematográfica."
Alberto, parabenizando os 4 anos de Spoiler!


4 Anos
26.11.03 ~ 26.11.07

23.11.07

Os Sonhadores - Parte 8/8

Da intuição até o domínio absoluto da técnica, do som como elemento definidor à pressão dos grandes estúdios, oito diretores fundamentais explicam seu trabalho e apontam as tendências da sétima arte, numa série especial sobre a arte de dirigir especialmente criada em comemoração aos 4 anos da Rede Spoiler!

John Woo (1946), é chinês e começou a ser reconhecido no fim dos anos 80 com O ASSASSINO (1989), após fazer sucesso por mais de dez anos em Hong Kong. Hoje é visto como um dos mais importantes diretores de filmes de ação. Dirigiu A OUTRA FACE (1997), MISSÃO IMPOSSÍVEL 2 (2000) e outros. Eis suas impressões em entrevista exclusiva para SPOILER!

WOO, Filme sem gramática

Não conheço nenhuma regra, nenhuma verdadeira "gramática" do cinema. Quando preparo uma cena, não digo "oh, é preciso filmá-la em grande plano" ou "oh, isso é um grande plano". Prefiro filmar de várias distâncias e tomar minha decisão final na montagem, porque é ao mesmo tempo o momento em que melhor consigo ter um espírito de síntese e aquele em que o filme começa realmente a ganhar vida.

Portanto, não hesito em filmar cada cena com várias câmeras (já tive até 15 câmeras para cenas de ação especialmente complexas) e até rodar algumas câmeras em velocidades diferentes (minha velocidade preferida é de 512 imagens por segundo, ou seja, 20 vezes mais lenta que a normal). O motivo dessa desaceleração é que, quando descubro na montagem um momento especialmente forte, do ponto de vista dramático ou emocional, gosto de fazê-lo durar o maior tempo possível. Portanto, filmo sob vários ângulos ao mesmo tempo, mas pode acontecer que no final o desempenho do ator seja tão formidável que eu decida utilizar apenas o grande plano para a cena inteira e jogar fora todo o resto. [...]

Burocracia de Hollywood

Já se disse que os estúdios de Hong Kong são muito duros, e é verdade, mas unicamente porque eles são obcecados pelo aspecto comercial dos filmes. Se você tiver um fracasso de bilheteria, eles se livram de você com uma rapidez assustadora.

Por outro lado, enquanto funcionar, eles lhe dão um controle criativo total na filmagem. Nunca mostrei meus copiões aos produtores, quando trabalhava em Hong Kong. Eu filmava e lhes entregava o produto acabado, muitas vezes com atraso e tendo ultrapassado o orçamento. Mas eles só se queixavam se o filme não desse dinheiro.
Em Hollywood fiquei francamente surpreso de ver a que ponto o processo criativo é complexo e político. Há muitas pessoas envolvidas que querem impor suas idéias, reuniões demais e não se assumem riscos suficientes. É preciso ter uma energia incrível para ainda ter vontade de filmar quando finalmente lhe dão a aprovação. O problema é que eu trabalho enormemente pelo instinto. Gosto de criar no set, e não antes. [...]

Para trabalhar bem com atores, acredito que é preciso estar um pouco apaixonado por eles. Isso é uma coisa que compreendi muito cedo, assistindo a A NOITE AMERICANA [1973], de [François] Truffaut [1932-84]. Era fascinante ver a que ponto ele amava seus atores. Para mim é a mesma coisa. Por isso insisto em passar muito tempo com eles antes da filmagem e discuto muito para descobrir quem eles são e o que têm na cabeça. Faço-os falar sobre seu modo de vida, seus sonhos, aquilo de que gostam e o que detestam.

Por John Woo, direto para SPOILER

SPOILER
4 Anos
26.11.03 ~ 26.11.07

Os Sonhadores - Parte 7/8

Da intuição até o domínio absoluto da técnica, do som como elemento definidor à pressão dos grandes estúdios, oito diretores fundamentais explicam seu trabalho e apontam as tendências da sétima arte, numa série especial sobre a arte de dirigir especialmente criada em comemoração aos 4 anos da Rede Spoiler!

Lars von Trier (1956), é dinamarquês e o principal nome do Dogma 95 (movimento que se propunha a "desnudar" o cinema, banindo efeitos artificiais). Dirigiu DANÇANDO NO ESCURO (2000), DOGVILLE (2003), MANDERLAY (2005) e outros. Eis suas impressões em entrevista exclusiva para SPOILER!

VON TRIER, A busca da emoção

O que me parece primordial é fazer um filme para si mesmo, e não para o público. Se você começa a pensar no público, certamente vai se enganar e fracassar. Para fazer filmes, uma parte de você deve evidentemente ter vontade de se comunicar com os outros, mas essa não deve ser a motivação principal, senão o filme não vai funcionar. Você deve fazer o filme que você quer ver, e não aquele que acredita que o público quer ver. É uma armadilha na qual vejo muitos cineastas caírem. Isso não significa que não se podem fazer filmes comerciais. Significa somente que esses filmes devem agradar a você antes de agradar ao público. Um cineasta como Steven Spielberg [1947] faz filmes muito comerciais, mas estou convencido de que ele os faz antes de tudo porque tem vontade de vê-los. E é por isso que eles funcionam. [...]

Alguns anos atrás, todo mundo lhe diria que eu era o pior diretor de atores que já existiu. E, sem dúvida, eles teriam razão. No entanto eu diria em minha defesa que o estilo de filme que eu fazia exigia isso. Hoje mudei um pouco de opinião. Em uma filmagem como a de DOGVILLE [2003], tenho a impressão de ser um anfitrião, e todos os atores são meus convidados. De repente, isso me cria outras preocupações. Porque, quando vejo que um dos meus "convidados" não se diverte na festa, sinto-me culpado e não consigo trabalhar.

Quero que todo mundo se sinta bem em meu set. Quero que meus atores não sintam nenhuma pressão. Cabe a mim absorver toda a pressão, a fim de criar um clima no qual possa se estabelecer confiança. Pois, embora seja um clichê, a confiança é o fator vital no trabalho com um ator. É verdade que no meu caso minha reputação ajuda muito. Como todo mundo sabe que faço coisas um pouco loucas, os atores que aceitam trabalhar comigo o fazem com conhecimento de causa. Em geral estão dispostos a tudo.

Coisas meio malucas

E o que foi formidável com Nicole Kidman, por exemplo, é que ela sempre aceitou experimentar muitas coisas meio malucas que não estavam previstas. E acredito que é o maior sacrifício que se pode pedir a um ator: assumir o risco de se ridicularizar pelo bem do projeto. [...]

Não faço filmes para exprimir idéias. Entendo que se poderia pensar isso vendo meus primeiros filmes, porque eles têm algo um um pouco frio e quase matemático. Mas, mesmo na época, acreditava que no fundo eu já era o mesmo que hoje. Essa busca da emoção sempre orientou meu trabalho, e, se meus últimos filmes podem parecer mais fortes e mais tocantes que os primeiros, é sem dúvida só porque, como pessoa, me tornei mais aberto às emoções.

Por Lars von Trier, direto para SPOILER

SPOILER
4 Anos
26.11.03 ~ 26.11.07

Os Sonhadores - Parte 6/8

Da intuição até o domínio absoluto da técnica, do som como elemento definidor à pressão dos grandes estúdios, oito diretores fundamentais explicam seu trabalho e apontam as tendências da sétima arte, numa série especial sobre a arte de dirigir especialmente criada em comemoração aos 4 anos da Rede Spoiler!

Martin Scorsese (1942), é um dos mais influentes cineastas americanos dos últimos 30 anos, sabendo aliar a capacidade de contar histórias à técnica cinematográfica. Dirigiu TAXI DRIVER (1976), TOURO INDOMÁVEL (1980), DEPOIS DE HORAS (1985), GANGUES DE NOVA YORK (2001), O AVIADOR (2004) e OS INFILTRADOS (2006), pelo qual recebeu seu Oscar de Direção, entre outros. Eis suas impressões em entrevista exclusiva para SPOILER!

SCORSESE, O roteiro é vital

Mesmo que corra o risco dizer o óbvio, afirmo que o dever de um cineasta é saber do que fala. No mínimo, creio que deva conhecer os sentimentos e emoções que tenta comunicar ao público. Isso não o impede de usar recursos mais exploratórios mas apenas, acredito, na superfície, ou seja, no nível do contexto da história.

Um filme como A ERA DA INOCÊNCIA [1993], por exemplo, pode parecer muito distante do meu arrazoado, porque jamais vivi em alta sociedade, e muito menos no século passado. Mas o que fiz, nesse filme, foi tomar sentimentos que eu conhecia e transpô-los de volta para um universo que eu não conhecia, mas me intrigava, a fim de estudá-los de maneira quase antropológica, ou seja, analisando de que maneira as regras e convenções da sociedade daquela época poderiam influenciar e afetar esses sentimentos.

Não importa qual seja a situação, acredito que um diretor deva saber do que fala, e saber aonde vai. A idéia de cineasta que descobre o filme ao fazê-lo, não creio que seja verdade. Mesmo que Fellini tenha sempre reivindicado que seus filmes eram todos improvisados, estou certo de que ele tinha no mínimo uma idéia muito precisa do que desejava realizar.

A única situação de improviso visual que concebo é na filmagem de cenas suplementares, que não constam do roteiro e não são importantes ou indispensáveis para o filme. Nesse caso, me sinto um pouco mais livre. Mas, mesmo assim, inventar um filme feito desses pedaços, ou seja, filmar sem roteiro, me parece inconcebível. O roteiro é vital. [...]

Na época de A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO [1988] e A COR DO DINHEIRO [1986], eu lecionava cinema nas universidades Columbia e de Nova York ou, mais exatamente, eu conversava com os estudantes que estavam realizando seus filmes. Em termos gerais, o maior problema dos projetos deles fica no nível que costumo designar como "intenção", ou seja, aquilo que o cineasta tenta comunicar por intermédio de seu filme. Há diversos fatores que podem tornar esse problema aparente, mas creio que o mais evidente seja o da colocação da câmera.

O lugar da câmera

Os estudantes muitas vezes não conseguiam responder à pergunta fundamental para todo cineasta: onde colocar a câmera para permitir que o plano mostre o que deve mostrar? E não simplesmente o plano em questão, mas aquele que o sucederá e aquele que o precedeu, igualmente, e como cada um dos planos, quando montado em companhia dos outros, permitirá finalmente exprimir a idéia que o cineasta tem em mente.

Pode se tratar de uma idéia puramente física -um homem entra em um aposento e se senta em um sofá- ou de algo mais temático, ou seja, uma reflexão filosófica ou uma observação psicológica. Mas em todos os casos retornamos invariavelmente ao mesmo ponto de partida: onde colocar a câmera para que se possa dizer o que é preciso ser dito?

Pode ocorrer, claro, que o problema de muitos estudantes e de muitos jovens cineastas seja exatamente o fato de que eles não têm nada a dizer. E é por isso que seus filmes acabam sendo obscuros demais, convencionais demais e orientados demais ao mercado comercial [...].

Certos cineastas faziam seus filmes para o público. Outros, como Hitchcock ou Spielberg, fazem-nos ao mesmo tempo para eles e para o público. Hitchcock tinha perfeito conhecimento do público, sabia exatamente como seduzi-lo e manipulá-lo. Mas, por trás de tudo, ele tinha uma filosofia e uma psicologia tão fortes que, na verdade, o que fazia era disfarçar filmes muito pessoais em filmes de suspense. Eu creio que faço meus filmes para mim mesmo, sem deixar de saber que eles terão um público, mas sem tentar antever qual será a reação do público, que forma a audiência tomará. [...]

Por Martin Scorsese, direto para SPOILER

SPOILER
4 Anos
26.11.03 ~ 26.11.07

19.11.07

Os Sonhadores - Parte 5/8

Da intuição até o domínio absoluto da técnica, do som como elemento definidor à pressão dos grandes estúdios, oito diretores fundamentais explicam seu trabalho e apontam as tendências da sétima arte, numa série especial sobre a arte de dirigir especialmente criada em comemoração aos 4 anos da Rede Spoiler!

David Lynch (1946), é criador de filmes que abordam situações surreais e obscuras, investigando o que se esconde por trás da realidade. Estreou no cinema em 1977 com ERASERHEAD e em seguida dirigiu filmes como O HOMEM ELEFANTE (1980), DUNA (1984), CIDADE DOS SONHOS (2001) e IMPÉRIO DOS SONHOS (2006), além da série de TV "Twin Peaks" (1990). Eis suas impressões em entrevista exclusiva para SPOILER!

LYNCH, Som e sentido

Se alguém me perguntasse quais são os filmes que, para mim, representam os exemplos mais brilhantes do que se pode realizar como cineasta, creio que eu escolheria quatro. Para começar, OITO E MEIO [1963], para mostrar como Fellini foi capaz de obter no cinema o mesmo resultado que certos artistas conseguem na pintura abstrata, ou seja, conseguir comunicar uma emoção sem jamais falar dela ou mostrá-la diretamente, sem jamais explicá-la, quase como se fosse magia. A seguir, eu exibiria CREPÚSCULO DOS DEUSES [1950], um pouco pelas mesmas razões.

Porque, se o estilo de Billy Wilder não se compara ao de Fellini, ele obtém resultado mais ou menos similar, ao criar uma espécie de ambiente abstrato, menos por magia pura do que por toda espécie de invenção estilística e técnica. A Hollywood que ele nos descreve naquele filme sem dúvida jamais existiu, mas ele nos alcança e faz com que acreditemos plenamente e nos faz penetrar nela como num sonho.

Depois disso, mostraria AS FÉRIAS DE M. HULOT [1953], pela visão incrível que [Jacques] Tati tinha da sociedade. Pode-se ver, em seus filmes, como era profundo o conhecimento e o verdadeiro amor que sentia pelo ser humano, e há muito a aprender com seu exemplo.

Por fim, mostraria JANELA INDISCRETA [1954], em razão da maneira brilhante pela qual [Alfred] Hitchcock conseguiu criar -ou recriar- um verdadeiro universo no pátio daquele edifício. James Stewart não sai de sua cadeira o filme inteiro e, apesar disso, testemunha, de seu ponto de vista, uma incrível história de morte. Esse filme, a arte de condensar algo enorme e de fazer com que caiba na película, que parece minúscula, só pode funcionar por se basear em um completo domínio da imagem. [...]

Entidade sólida

Descobri o poder do som desde o começo. Trabalhei com "pintura viva", um projetor passando um filme em "loop" e o som de uma sirene rodando igualmente em "loop" por trás da cena. Desde então, sempre considerei que o som representava metade da eficácia de um filme. Temos a imagem de um lado e o som de outro, e, se o diretor sabe como aliá-los corretamente, o conjunto é muito mais forte que a soma das partes. A imagem repousa sobre toda espécie de elementos frágeis e voláteis (a luz, o enquadramento, a interpretação dos atores etc.), mas o som é uma espécie de entidade sólida e possante, que "habita" fisicamente o filme, que se instala nele como alguém se instala em uma casa.

É claro que é preciso encontrar o melhor som, o que implica muita discussão, muitos testes e muitas experiências. [...]

Cada cineasta tem hábitos ou pendores característicos, no plano técnico. Por exemplo, adoro brincar com contrastes, filmar com lentes que me dão grande amplitude de campo e ao mesmo tempo adoro close-ups muito próximos, como os fósforos em CORAÇÃO SELVAGEM [1990].

Por outro lado, tenho um método muito peculiar de realizar "travellings". É um método que experimentei em ERASERHEAD [1977] e que voltei a utilizar em todos os meus trabalhos posteriores. Consiste em carregar a dolly da câmera usada no "travelling" com pesos, sacos de areia, até que pareça pesar três toneladas. São necessárias muitas pessoas para empurrá-la, e ela inicia seu percurso muito lentamente, como uma locomotiva saindo da estação.

Mas, passado um momento, a dolly ganha velocidade e, depois disso, passa a ser necessário empregar muita energia para impedir que ela corra demais. É quase necessário que alguém se jogue à sua frente para detê-la. O interessante desse método é que dá ao "travelling" uma graça e uma fluidez notáveis. Creio que o melhor "travelling" dos meus filmes esteja em O HOMEM ELEFANTE [1980], quando Anthony Hopkins descobre pela primeira vez o homem elefante e se aproxima de seu rosto para ver sua reação.

Tecnicamente, foi uma tomada muito bem realizada, mas, além disso, no exato momento em que a câmera se detém em seu rosto, Anthony Hopkins deixa escapar uma lágrima. Isso não estava previsto. É um desses momentos mágicos que acontecem. Foi a primeira tomada, mas, após ver o que acontecera, eu nem mesmo pedi uma segunda.

Por David Lynch, direto para SPOILER

SPOILER
4 Anos
26.11.03 ~ 26.11.07

18.11.07

Os Sonhadores - Parte 4/8

Da intuição até o domínio absoluto da técnica, do som como elemento definidor à pressão dos grandes estúdios, oito diretores fundamentais explicam seu trabalho e apontam as tendências da sétima arte, numa série especial sobre a arte de dirigir especialmente criada em comemoração aos 4 anos da Rede Spoiler!

Jean-Luc Godard (1930), um dos principais diretores franceses da "nouvelle vague", estreou em 1959 com ACOSSADO, que foi produzido por François Truffaut. Dirigiu MADE IN USA(1966), O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS (1965), "A CHINESA (1967) e JE VOUS SALUE MARIE (1985), entre outros. Eis suas impressões em entrevista exclusiva para SPOILER!

GODARD, Perversões do autor

A perversão da noção de autor é incontestavelmente uma herança negativa da "nouvelle vague". Antes, aqueles que eram considerados autores dos filmes eram os roteiristas, uma tradição que vinha da literatura. Nos créditos, os nomes dos diretores vinham em último lugar, a não ser para pessoas como [John] Ford ou [Frank] Capra, mas unicamente porque eles também eram produtores. Mas nós dissemos: "Não, a direção é o fato fundador e verdadeiramente criador do filme. E Hitchcock [1899-1980] é autor tanto quanto Balzac [1799-1850]". A partir daí desenvolvemos a política dos autores, que consistia em apoiar o autor, mesmo quando ele era fraco.

Apoiávamos mais facilmente um mal filme de autor que um bom filme de alguém que não o era. E depois o conceito se inverteu, se transformou em um culto ao autor, e não a seu trabalho. Então todo mundo se tornou autor, e, hoje, quase que o cenarista pede para ser reconhecido como autor dos pregos que colocou no cenário. O termo não quer dizer mais nada, portanto. [...] Acredito que, quando lançamos a política dos autores, nos enganamos ao privilegiar a palavra "autor", enquanto na verdade é a palavra "político" que era preciso ressaltar.

Pois o verdadeiro objetivo desse conceito não era demonstrar quem faz a direção, mas, principalmente, explicar o que faz a direção. [...]

Eu acredito que existem duas maneiras de enfrentar um filme. A primeira é a das pessoas que fazem cinema mais clássico e tradicional, mas que vão até o fim. O que entendo por isso é que elas começam tendo vontade, a qual se transforma pouco a pouco em idéia.

Elas fazem anotações, começam a ver os cenários aparecendo em sua cabeça, depois imagens, depois uma narrativa, uma construção etc. A partir de todos esses elementos, passam a preparar o filme da melhor forma possível, um pouco do mesmo modo que um arquiteto prepara as plantas de uma casa.

Depois há a filmagem, que consiste em realizar o melhor possível e da maneira mais agradável o que foi desenhado nas plantas. E finalmente há a montagem, o último momento de possibilidade de invenção e de semiliberdade. Essa é uma abordagem. A minha é diferente. Eu começo tendo uma espécie de sentimento abstrato, de atração por alguma coisa sem compreendê-la bem, e o fato de filmá-la faz com que eu a verifique, pronto para recuar ou mudar enormemente as coisas. Somente no fim eu posso efetivamente verificar se minha intuição estava certa e, é claro, geralmente é tarde demais.

Eu diria que é um pouco como na pintura moderna, na qual se faz uma tentativa, depois se apaga e recomeça. É preciso explicar que eu sempre parti da possibilidade real de fazer o filme, quer dizer, o projeto é montado com um produtor antes mesmo que eu tenha escrito o roteiro.

História de amor

Então, quando tudo isso está pronto, é preciso ir em frente. É um pouco como uma história de amor. A gente fica junto, decide se casar e depois não é mais possível recuar. É preciso levantar de manhã, fazer as contas, se perguntar como vamos viver, trabalhar... Há uma obrigação que não podemos evitar. [...]

Existem dois níveis de leitura em um filme: o visível e o invisível. O que você coloca diante da câmera é o visível. E, se houver apenas isso, é um telefilme que você faz. Os verdadeiros filmes, para mim, são aqueles em que existe uma espécie de invisível, que só pode ser visto através daquele visível e unicamente porque ele é agenciado ou orientado assim.

Muitos realizadores hoje se contentam em filmar o visível. Deveriam se fazer mais perguntas. Ou talvez sejam os críticos que deveriam fazê-las. Mas não depois que os filmes estão prontos, como acontece hoje. Não, aí é tarde demais, é preciso fazê-las antes. E é preciso fazê-las como um juiz que interroga um suposto culpado. [...]

Eu nunca aderi ao conceito dos atores que conseguem fazer acreditar que são o personagem. O exemplo definitivo é sem dúvida a peça de Tchekov na qual a atriz faz crer que é uma gaivota. Muitas pessoas acreditam, eu não. Eu nunca dirigi realmente os atores. Com Anna (Karina) o problema nem mesmo se colocava, pois ela mesma se dirigia. Meus comentários muitas vezes se reduziam a "mais forte", "mais devagar" ou, "se você não entendeu, então pelo menos diga como eu teria entendido". Em geral, deixo os atores fazerem sua própria criação. É claro que o fazem sozinhos. Meu trabalho se restringe então a lhes dar boas condições: um bom enquadramento, uma boa profundidade de campo etc.

Não consigo fazer o enorme trabalho de direção de atores que se pode encontrar em [Ingmar] Bergman [1918], [George] Cukor [1899-1983] ou [Jean] Renoir [1894-1979], quando podemos ver que eles amavam os atores como um pintor ama seus modelos.

Por Jean-Luc Godard, direto para SPOILER

SPOILER
4 Anos
26.11.03 ~ 26.11.07

15.11.07

Os Sonhadores - Parte 3/8

Da intuição até o domínio absoluto da técnica, do som como elemento definidor à pressão dos grandes estúdios, oito diretores fundamentais explicam seu trabalho e apontam as tendências da sétima arte, numa série especial sobre a arte de dirigir especialmente criada em comemoração aos 4 anos da Rede Spoiler!

David Cronenberg (1943), é canadense, autor de filmes com ambientação aterrorizante e de suspense. Ganhou popularidade com SCANNERS (1981), onde telepatas têm o poder de explodir cabeças. Dirigiu também A MOSCA (1986), VIDEODROME (1983), CRASH (1996), MARCAS DA VIOLÊNCIA (2004), entre outros. Eis suas impressões em entrevista exclusiva para SPOILER!

CRONENBERG, Escrita é arte maior

Pode parecer chocante, mas em algum lugar acredito que continuo considerando a literatura uma arte superior ao cinema. É provavelmente por esnobismo ou porque, como disse antes, sempre pensei que minha carreira "séria" seria escrever romances e que o cinema seria apenas um hobby, uma coisa que eu faria paralelamente. Ao mesmo tempo, quando conheci Salman Rushdie [escritor britânico, autor de VERSOS SATÂNICOS], que considero um dos autores mais ricos e mais intensos de sua geração, pedi sua opinião.

Isso me parecia ainda mais interessante porque ele cresceu na Índia, onde o cinema tem uma importância cultural enorme. Então lhe perguntei se ele considerava a literatura uma arte superior ao cinema, e ele me olhou como se eu fosse louco. Ele disse que pensava exatamente o contrário e que estaria disposto a tudo para poder realizar um filme. [...]

A câmera é um ator

Na primeira vez em que me encontrei em um set de filmagem, lembro-me de ter ficado aterrorizado com a idéia de espaço, porque, se a escrita é um universo bidimensional, o cinema é tridimensional.

Não falo da imagem, é claro, mas do set. É um universo onde é preciso gerar não apenas o espaço mas também a relação das pessoas e dos objetos nesse espaço e organizar tudo para que seja eficaz e para que, além disso, tenha sentido.

Pode parecer abstrato dito assim, mas, quando estamos diante do problema, acredite-me, é muito concreto. Pois a câmera ocupa seu próprio lugar nesse espaço, ela é como mais um ator.

E em muitos filmes de estréia eu noto o mesmo defeito: a incapacidade de dançar com a câmera, de traduzir corretamente essa espécie de balé gigantesco formado por todos os elementos de um set de filmagem. Por outro lado, o que é formidável é que a maioria das decisões a serem tomadas vêm de maneira completamente instintiva. [...]

Quanto mais filmes faço, mais sinto vontade de rigor e purismo ou de minimalismo. É por isso que um filme como EXIZTENZ [1999] é filmado quase totalmente com uma única lente, no caso a de 27 milímetros. Quero ser simples e direto, à maneira de um [Robert] Bresson [1901-99] e, por outro lado, o oposto completo de um Brian de Palma [1940], que vai constantemente buscar uma maior manipulação da imagem e uma maior complexidade visual.

Não critico o que ele faz, mas é outra abordagem. Também nunca utilizo o zoom, porque para mim é somente um brinquedo ótico. Então, quando movimentamos a câmera, a mudança de perspectiva o projeta fisicamente no espaço do filme. Novamente, o zoom tem alguma coisa de bidimensional que não corresponde à minha idéia de cinema.

Por David Cronenberg, direto para SPOILER

SPOILER
4 Anos
26.11.03 ~ 26.11.07

14.11.07

Os Sonhadores - Parte 2/8

Da intuição até o domínio absoluto da técnica, do som como elemento definidor à pressão dos grandes estúdios, oito diretores fundamentais explicam seu trabalho e apontam as tendências da sétima arte, numa série especial sobre a arte de dirigir especialmente criada em comemoração aos 4 anos da Rede Spoiler!

Bernardo Bertolucci (1940), é italiano e se tornou conhecido por O ÚLTIMO TANGO EM PARIS (1972). Conquistou nove Oscars com O ÚLTIMO IMPERADOR (1987), épico sobre a vida do último imperador deposto da China. Dirigiu também O PEQUENO BUDA (1993) e OS SONHADORES (2003). Eis suas impressões em entrevista exclusiva para SPOILER!

BERTOLUCCI, Câmera inquieta

Não aprendi a dirigir filmes de modo teórico, e a noção de "gramática" cinematográfica nada significa para mim. E, no entanto, dada minha maneira de pensar, tendo a dizer que, se existe gramática, é preciso transgredi-la. Porque é dessa maneira que a linguagem cinematográfica evolui.

Quando Godard filmou ACOSSADO [1959], a gramática dele era "le jump cut" [transição imediata entre uma imagem e outra] no poder. E o extraordinário é que, caso você assista a um dos últimos filmes de John Ford [1895-1973] -SETE MULHERES [1966]- você se dá conta de que o cineasta, um dos clássicos do cinema hollywoodiano, decerto assistiu a ACOSSADO e adotou o "jump cut" como método, coisa que dez anos antes pareceria inconcebível. Eu, desde sempre, abordo cada plano como se fosse o último, como se devesse aposentar a câmera depois de cada tomada.

Tenho sempre essa sensação de roubar cada uma de minhas tomadas, e nesse estado de espírito é impossível refletir em termos de "gramática" ou de lógica. Hoje em dia, aliás, não preparo nada com antecedência, não faço decupagem nenhuma. Geralmente, tento rever antes de dormir os planos que rodarei no estúdio na manhã seguinte. [...]

Brando e Francis Bacon

A comunicação é evidentemente um fator essencial ao bom funcionamento de uma equipe de filmagem. Mas creio que a chave para uma boa comunicação precisa ser estabelecida antes do começo da filmagem; fazê-la no estúdio é tarde demais. Por exemplo, quando decidi filmar O ÚLTIMO TANGO EM PARIS [1987], convidei Vittorio Storraro (diretor de câmera de todos os filmes de Bertolucci até O PEQUENO BUDA [1993]) para a exposição de Francis Bacon [1909-92] no Grand Palais [em Paris], e lhe mostrei as telas, dizendo que aquela era a espécie de coisa em que queria me inspirar.

E, se vocês prestarem atenção ao resultado final, há luzes alaranjadas no filme que são diretamente influenciadas por Bacon. Depois, convidei Marlon Brando [1924-2004] para ir à mesma exposição e lhe mostrei a tela que se vê no começo do filme, nos títulos de abertura. Era um retrato que, observado no começo, parecia bastante figurativo.

Mas, depois de fixar o olhar no quadro por um bom tempo, a tela perdia o naturalismo completamente e se tornava a expressão do que se passa nas tripas -ou no inconsciente- do autor. Perguntei a Marlon se ele tinha prestado atenção ao retrato e disse que queria que ele criasse a mesma massa de dor. E foi quase só essa -ou pelo menos foi essa a principal- instrução que lhe dei para o filme. [...]

É a câmera que dita minha maneira de dirigir, porque ela se movimenta o tempo todo -e percebo que, nos meus filmes recentes, ela se move ainda mais-, quase como se entrasse em cena, na forma de um personagem invisível do filme. Sou incapaz de resistir à tentação de fazer a câmera se mover. Creio que isso surge da necessidade de forjar uma relação sensual com os personagens, na esperança de que isso se transforme em uma relação sensual entre os personagens. [...] Quase nunca uso o zoom. Não sei o motivo, mas creio que haja alguma coisa de falso nesse movimento. [...]

Aparentemente, um filme consiste em transformar uma idéia em imagem. Mas, de um modo mais secreto, para mim ele sempre foi uma maneira de explorar qualquer coisa de mais pessoal e abstrato. E meus filmes terminam sempre sendo muito diferentes do que eu imaginava, no começo do projeto. É um processo evolutivo, assim. [...]

Houve um momento em que considerava que a contradição era a base de tudo, o motor de cada filme. E foi assim que filmei 1900 [1976], filme sobre o nascimento do socialismo, um filme socialista, por isso, em essência, mas financiado por dólares norte-americanos. Um filme no qual eu misturava atores de Hollywood e camponeses da região do rio Pó [na Itália], que jamais haviam visto uma câmera. Isso me divertiu bastante.

É preciso lembrar que, quando comecei a fazer cinema, nos anos 60, ainda existia aquilo que os cineastas designavam como "a questão Bazin", ou seja, "o que é o cinema?". Era uma espécie de interrogação constante que terminava por se tornar um pouco o tema de cada filme.

Isso acabou porque as coisas mudaram. Mas tenho a impressão de que o cinema está a ponto de sofrer tamanha transformação, de perder a tal ponto sua unicidade, que a questão Bazin voltará a ser atual, e será preciso recomeçar a perguntar, uma vez mais, o que é o cinema.

Por Bernardo Bertolucci, direto para SPOILER

SPOILER
4 Anos
26.11.03 ~ 26.11.07

13.11.07

Os Sonhadores - Parte 1/8

Da intuição até o domínio absoluto da técnica, do som como elemento definidor à pressão dos grandes estúdios, oito diretores fundamentais explicam seu trabalho e apontam as tendências da sétima arte, numa série especial sobre a arte de dirigir especialmente criada em comemoração aos 4 anos da Rede Spoiler!

Pedro Almodóvar (1951), talvez seja o principal cineasta espanhol desde Luis Buñuel (1900-83). Dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1980: PEPI, LUCI, BOM & OTRAS CHICAS DEL MONTON. Em seguida lançou filmes como MATADOR (1986), A LEI DO DESEJO (1987), TUDO SOBRE MINHA MÃE (1999), MÁ EDUCAÇÃO (2004) e, o mais recente, VOLVER (2006). Eis suas impressões em entrevista exclusiva para SPOILER!

ALMODÓVAR: A técnica é uma ilusão

O problema da geração mais nova [de cineastas] com relação às precedentes é o fato de ter crescido em uma cultura na qual a imagem se tornou onipresente e onipotente. Banharam-se desde pequenos no universo do videoclipe e da publicidade, que não são formatos que me atraíam, pessoalmente, mas cuja riqueza visual é inegável. E por isso os cineastas estreantes têm uma cultura e um domínio de imagem muito superiores aos que seus predecessores tinham 20 anos atrás.

Mas, em razão disso, eles também abordam o cinema de uma forma que privilegia a forma ao conteúdo, e creio que chega um momento em que isso os atrapalha. De fato, creio que a técnica é uma ilusão. [...]

Há cineastas que dizem imaginar o filme inteiro em suas cabeças, antecipadamente, mas mesmo assim há muitas coisas que não se revelam, a não ser no momento, quando todos os elementos de uma cena estão montados no local de filmagem.

O primeiro exemplo que me ocorre é o do acidente de carro em "Tudo sobre Minha Mãe" [1999]. No começo, eu planejava filmar com uma grua e terminar com um longo "travelling", acompanhando a mãe em sua corrida pela rua, sob a chuva, na direção do filho agonizante. Mas acabei por repensar e disse a mim mesmo que o "travelling" era parecido com um plano que eu já utilizara no final de "A Lei do Desejo" [1987]. E por isso decidi, de improviso, naquele momento, rodar a cena de maneira completamente diferente, ou seja, como uma tomada subjetiva. A câmera filma do ponto de vista do rapaz, passa por baixo do carro e se perde no sol, e enfim ele vê a mãe correndo em sua direção.

No final, terminou sendo sem dúvida um dos planos mais fortes do filme. No entanto não foi de maneira nenhuma premeditado. Tudo surgiu de decisões intuitivas, improvisadas ou acidentais, que são a magia da filmagem. [...]

Close-up perigoso

O fato é que não tenho fetiches ou manias, na hora de rodar uma cena. Mas, nos meus dois últimos filmes, surgiram detalhes muito peculiares. Para começar, usei um novo tipo de lente, chamadas "primes", que me satisfizeram muito, pela densidade que dão às cores e, acima de tudo -o que pode surpreender- pela textura que emprestam aos objetos que não ficam em foco, no segundo plano de certas imagens.

Além disso, e isso é o mais importante, utilizei basicamente o modo "scope", com um formato de imagem muito mais alongado. O "scope" não é um formato evidente e oferece certos problemas, especialmente no caso dos planos próximos. Para filmar um close-up nesse formato, é preciso fechar nos rostos, e ocasionalmente isso se torna perigoso, porque não há como mentir. Isso obriga a encarar a questão quanto ao que se quer realmente dizer com o close-up. Os atores precisam ser bons, e é preciso que haja algo de verdadeiro naquilo que interpretam -ou a cena descamba.

Digo isso, mas poderia facilmente oferecer um exemplo inverso daquilo que estou dizendo: [o cineasta italiano] Sergio Leone [1929-1989]. A maneira pela qual ele filmava close-ups extremamente próximos em seus westerns era completamente artificial. Lamento muito, mas Charles Bronson [1922-2003], para mim, é um ator que nada exprime. E a intensidade que deriva dos close-ups de seu rosto durante as cenas de duelo é completamente falsa. No entanto sou obrigado a reconhecer que o público adora o estilo.

O exemplo oposto é David Lynch. No caso dele, embora filme certos objetos em close-up, consegue dotar as imagens de um verdadeiro poder de sugestão.

Os planos não são só impecáveis do ponto de vista estético mas repletos de mistério. A abordagem dele corresponde à minha, mas eu sou muito mais fascinado pelos atores, adoro filmar rostos, enquanto Lynch, que começou nas artes plásticas, visivelmente se interessa mais pelos objetos.

Por Pedro Almodóvar, direto para SPOILER

SPOILER
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26.11.03 ~ 26.11.07
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