Mostrando postagens com marcador MITOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MITOS. Mostrar todas as postagens

3.3.08

A Concepção do Diretor de Arte


A "cara" de um filme é dada pelo diretor de arte, o encarregado pelo planejamento artístico de toda a produção. A concepção do storyboard, cenografia, luz e figurino são as principais tarefas desse profissional que usa as mais diversas ferramentas para elaborar seu projeto.

O ponto de partida do diretor de arte para desenvolver o trabalho é absorver o que se pretende com a realização do produto. A partir daí começa a maratona técnica para dar forma ao conteúdo.

O projeto tem início com o estudo do roteiro. "A situação ideal para desenvolver um bom trabalho de direção de arte é participar desde a elaboração do roteiro. Muitas das situações apresentadas são criadas pelo diretor de arte", considera o diretor de arte e artista plástico Luciano Angelini.


ETERNO AMOR

A definição do espaço onde a idéia será materializada é fundamental para a criação do projeto cenográfico. Conhecer a locação ou até projetar a construção do local onde ocorrerá a captação ou se desenrolará o evento envolve o conhecimento dos dados contidos na planta baixa do espaço - como pé-direito, localização e altura das varas e grids e existência de passarelas ou fosso, que eventualmente poderão ser utilizadas na criação dos cenários, adereços, figurino, iluminação e planejamento de cores - ou a elaboração de um projeto com todos estes requisitos.

Nos storyboards estarão definidos os planos de captação, a visão e a circulação dos participantes de um evento, o posicionamento de câmeras, luzes, objetos cenográficos e artistas na cena. Atualmente, tem sido grande a importância dada à execução do storyboard para facilitar e agilizar o trabalho do diretor de cena. Dessa forma menos tempo é consumido em ensaios e repetições dos takes, evitando-se o desperdício de tempo e dinheiro em tempos de orçamentos apertados.

Com a aprovação dos planos visuais da produção, que inclui as texturas que serão empregadas, efeitos na pintura, elementos que irão compor o plano e objetos de cena, entram em campo o produtor de design e os cenotécnicos (serralheiros, pintores, marceneiros), que irão efetivamente pôr a mão na massa, para concretizar a obra.


CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS

Luis Rossi, diretor de arte e cenógrafo de longas como MEMÓRIAS PÓSTUMAS, DOIS CORREOS, A HORA MÁGICA, dentre outros, diz ser muito comum no Brasil o diretor de arte acumular também a função de desenhista de produção. Para ele, é importante que o diretor de arte tenha pelo menos fundamentos sobre iluminação cênica, seja em estúdio ou teatro.

"Um ponto de luz no teatro representa muita coisa, enquanto no cinema este ponto de luz tem de ser ampliado. No teatro, uma vela acesa ilumina o rosto de um ator e representa todo um universo; no cinema isso já não acontece. Você pode até conseguir um resultado, mas fotograficamente falando é muito mais difícil, na verdade você vai representar um ponto de vela."

Ao conceber os espaços, Rossi esboça à mão e, somente com o projeto finalizado, isto é, com as informações detalhadas sobre o plano visual da produção, é que o desenha digitalmente. A explicação para isso são as inúmeras modificações no projeto durante as reuniões com o diretor e sua pouca familiaridade com o meio digital: "No papel é mais rápido. Sou das antigas", explica.


A PAIXÃO DE CRISTO

A utilização de maquetes para o planejamento da construção de um cenário em estúdio, assim como o esboço em papel, estão sendo, atualmente, substituídos pela modelagem em softwares de imagens tridimensionais. Rossi, no entanto, afirma não abrir mão da maquete pois, ainda que a imagem saia tridimensional no papel, continua sendo uma imagem chapada: "Eu não posso por a mão dentro".

Luciano Angelini, ao contrário, prefere as ferramentas digitais como o Light Wave, Strata e Animation Master (para animação); Vector Works e Art Lantis (para arquitetura e cenografia), para realizar e apresentar seus projetos. "Hoje até um cenógrafo tem de estar interado sobre tecnologia digital, pois precisa estar preparado para montar ambientes onde serão usados efeitos digitais ou cenários virtuais."

"Em termos de direção de arte, nada se concebe no set de filmagem. No set o conceito já está estabelecido. Eventualmente o diretor pode sugerir: ‘Vamos concentrar mais isso daqui’, ou ‘Preciso de um primeiro plano aqui’, então preciso ter elementos na manga para o caso de precisar deles. Tudo pode ir para lá ou para cá, mas nada irá modificar o conceito", diz Rossi.


O FANTASMA DA ÓPERA

Quando Rossi entrou na televisão, em 1977, usavam-se muitos recursos do teatro: tanto a interpretação dos atores quanto as técnicas cenográficas eram teatrais. Como ainda existiam televisores preto e branco, a preocupação com as tonalidades das cores se fazia necessária, pois algumas cores como o vermelho e o preto imprimiam da mesma forma em P&B. "Eu nunca falei: vou ser diretor de arte. Comecei a fazer teatro no interior, como ator. Fiz dez anos de teatro amador e foi quando desenvolvi diversas habilidades, como atuar, dirigir, fazer iluminação, figurino e cenário. Vim para São Paulo fazer a Escola de Arte Dramática (EAD-USP) e casualmente fui convidado para ser assistente do Serroni na TV Cultura. Lá eu aprendi fazendo. Então passei para a televisão comercial, trabalhando como cenógrafo. Comecei com "Os imigrantes", uma novela que durou dois anos e foi uma grande escola, pois ela se passa em um período que durou cem anos. Pesquisei um século de Brasil e tinha de pesquisar hoje para executar o cenário amanhã. Depois fiquei fazendo por dez anos carnaval, sete como carnavalesco, e nesse meio tempo também fiz teatro e comercial. Eu não sou um especialista em direção de arte ou especialista em objetos. Às vezes me chamam de mago, pois faço de tudo: figurino, cenário etc. Eu não tenho o perfil de diretor de arte que trabalha em prancheta. Eu pego no batente, eu executo, eu ensino a executar. Eu tenho o lado do aderecista, do pintor de arte", conta Rossi.

A história de Luciano Angelini é completamente diferente. Foram seus trabalhos como artista plástico que o levaram a se tornar um diretor de arte a partir de 1990. Ele considera ainda que sua formação acadêmica e profissional em Engenharia Civil (FAAP) ajuda bastante no desenvolvimento de projetos cênicos. "Fica mais fácil projetar o espaço tendo pré-conhecimento das técnicas de como ele deverá (e poderá) ser construído." Elementos pictóricos não são nenhum mistério para alguém acostumado a lidar com pincéis, telas, tintas, cores e texturas. Por isso, há mais de dez anos, Angelini resolveu complementar seus conhecimentos estudando iluminação, técnicas de edição e informática. "Uni o útil ao agradável." E completa: "Na direção de arte de um evento posso dar asas à imaginação pois participo, inclusive, da criação do projeto que será apresentado para a empresa. Aí é arregaçar as mangas e usar tudo que a tecnologia oferece para prender a atenção dos participantes durante as apresentações, palestras e shows que integram o projeto".


O AVIADOR

Rossi sente-se mais confortável fazendo direção de arte para cinema. "Você tem mais liberdade. Na TV, e aí estou falando de publicidade, é o cliente quem manda. Você perde o domínio, porque você tem de vender o produto. Então eu chego, com todas as minhas idéias maravilhosas e o diretor fala: ‘Não! É só um plano fechado. Aqui eu só quero a reação do ator’. Aí resta um fundinho e você vai ter de fechar a sua criação neste fundinho. No cinema não, você tem de vender uma idéia e uma história que você concebeu, então tudo tem mais significado e aquilo é um todo com começo, meio e fim. O foco não está no produto, está no ser humano. Devido ao cinema ser mais denso e do espectador registrar com mais atenção a imagem, o produtor de design ou diretor de arte tem um papel muito mais acentuado do que na televisão. O cinema é muito mais realista do que o teatro. O cinema tem de ser hipernaturalista. O teatro é muito mais fake porque um pudim, por exemplo, pode ser feito de papel machê, já que está longe da platéia. No cinema, o pudim tem de ser pudim. Não dá para se fazer um mock-up de pudim, a não ser que seja muito bem feito."

Enfim, para trabalhar em direção de arte, é preciso ter a arte de misturar métodos, estilos e background na hora de dar a identidade visual a uma obra cênica.

Por Alessandra Meleiro (Tela Viva)

2.3.08

Cenários & Diretores de Arte

As funções do diretor de arte numa produção abrangem um imenso leque
de atividades. Cada projeto tem sua identidade e para realizá-lo os profissionais
lançam mão dos mais diversos recursos.
Alessandra Meleiro


Croquis de William Cameron Menzies & Lyle Wheeler do Incêndio de Atlanta, Quarto de Scarlet e Bazar de Atlanta para o filme ...E O VENTO LEVOU

100 Cenários, 100 Diretores de Arte

100
Patrizia Von Brandenstein

"Amadeus" (1985)

99
Josie MacAvin

"Entre Dois Amores" (1985)

98
John Bryan

"Grandes Esperanças" (1947)

97
James Payne

"Um Golpe de Mestre" (1973)

96
Ira Webb

"O Fantasma da Ópera" (1943)

95
Gianni Quaranta

"Uma Janela Para o Amor" (1983)

94
Gene Allens

"My Fair Lady" (1964)

93
Edward Carrere

"Camelot" (1967)

92
Grant Major

"O Senhor dos Anéis" (2002, 2003, 2004)

91
Peter Young

"A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça" (1999)

90
Perry Ferguson

"A Estrela do Norte" (1943)

89
Marvin March

"A Família Addams" (1993)

88
Linda DeScenna

"A Cor Púrpura" (1985)

87
Hans Peters

"O Retrato de Dorian Gray" (1945)

86
Hal Gausman

"Os Intocáveis" (1987)

85
Anton Grot

"A Vida de Émile Zola" (1937)

84
Albert D'Agostino

"Soberba" (1942)

83
Albert Brenner

"2010" (1984)

82
Vincent Korda

"O Ladrão de Bagdã" (1940)

81
Raphael Bretton

"Alô, Dolly!" (1969)

80
Peter Lamont

"Titanic" (1997)

79
Nancy Haigh

"Bugsy" (1991)

78
Jack Moore

"Quatro Destinos" (1949)

77
Ian Whittaker

"Retorno à Howard Ends" (1992)

76
George Nelson

"O Poderoso Chefão II" (1974)

75
Ernst Fegte

"Gaivota Negra" (1945)

74
Angelo Graham

"O Poderoso Chefão II" (1974)

73
Harry Horner

"Desafio à Corrupção" (1961)

72
Angelo Graham

"Apocalipse Now" (1979)

71
Wiard Ihnen

"Wilson" (1944)

70
Robert Priestley

"Férias de Amor" (1955)

69
Gil Parrondo

"Nicholas & Alexandra" (1971)

68
William Kiernan

"Nosso Amor de Ontem" (1973)

67
Van Nest Polglase

"Cidadão Kane" (1941)

66
Richard Pefferle

"Madame Bovary" (1949)

65
Leland Fuller

"Laura" (1944)

64
Ted Haworth

"Sayonara" (1957)

63
Tambi Larsen

"A Rosa Tatuada" (1955)

62
Stephen Goosson

"Horizonte Perdido" (1937)

61
Julia Heron

"Spartacus" (1960)

60
Joseph Kish

"A Nau dos Insensatos" (1965)

59
James Basevi

"A Canção de Bernadette" (1943)

58
Dean Tavoularis

"O Poderoso Chefão II" (1974)

57
William Cameron Menzies

"Mulher Cobiçada" (1928)

56
Michael Ford

"Titanic" (1997)

55
Henry Bumstead

"Golpe de Mestre" (1973)

54
George Gaines

"O Céu Pode Esperar" (1978)

53
Gene Callahan

"America, America" (1963)

52
Dario Simoni

"Doutor Jivago" (1965)

51
Vernon Dixon

"Oliver!" (1968)

50
John Meehan

"20000 Léguas Submarinas" (1954)

49
Lionel Banks

"Ana dos Mil Dias" (1969)

48
Jack Otterson

"Louca Por Música " (1938)

47
Frank McKelvy

"Terremoto" (1974)

46
Darrell Silverar

"Cidadão Kane" (1941)

45
Carroll Clark

"Mary Poppins" (1964)

44
Francesca Lo Schiavo

"Hamlet" (1990)

43
William Horning

"Gigi" (1958)

42
Preston Ames

"Sinfonia em Paris" (1951)

41
Leslie Dilley

"Os Caçadores da Arca Perdida" (1981)

40
Ken Adam

"As Loucuras do Rei George" (1994)

39
Robert Clatworthy

"A Nau dos Insensatos" (1965)

38
Edward Boyle

"Se Meu Apartamento Falasse" (1960)

37
Dante Ferretti

"O Aviador" (2004)

36
Urie McCleary

"Pattom, Rebelde ou Herói?" (1970)

35
Stuart Reiss

"O Diário de Anne Frank" (1959)

34
Richard Sylbert

"Dick Tracy" (1990)

33
Norman Reynolds

"Star Wars" (1977)

32
Keogh Gleason

"Sinfonia em Paris" (1951)

31
Howard Bristol

"Ídolo, Amante e Herói" (1942)

30
Arthur Krams

"Lili" (1953)

29
Russell Gausman

"Spartacus" (1960)

28
William S. Darling

"A Canção de Bernadette" (1943)

27
Walter Tyler

"Os Dez Mandamentos" (1956)

26
Boris Leven

"Amor, Sublime Amor" (1961)

25
Emile Kuri

"20000 Léguas Submarinas" (1954)

24
Stuart Craig

"O Paciente Inglês" (1996)

23
John Box

"Lawrence da Árabia" (1962)

22
Jack Martin Smith

"Viagem Fantástica" (1966)

21
Joseph Wright

"Minha Namorada Favoríta" (1942)

20
Edward Carfagno

"Ben-Hur" (1959)

19
Henry Grace

"Gigi" (1958)

18
Paul Groesse

"Virtude Selvagem" (1946)

17
John DeCuir

"Alô, Dolly!" (1969)

16
Roland Anderson

"Bonequinha de Luxo" (1961)

15
Ray Moyer

"Crepúsculo dos Deuses" (1950)

14
George James Hopkins

"My Fair Lady" (1964)

13
Hugh Hunt

"Ben-Hur" (1959)

12
Paul S. Fox

"O Rei e Eu" (1956)

11
George W. Davis

"O Manto Sagrado" (1953)

10
Alexander Golitzen

"O Sol é Para Todos" (1962)

9
Hal Pereira

"A Rosa Tatuada" (1955)

8
Hans Dreier

"Sansão & Dalila" (1950)

7
Walter M. Scott

"Cleópatra" (1963)

6
Thomas Little

"A Malvada" (1941)

5
Richard Day

"Um Bonde Chamado Desejo" (1951)

4
Sam Comer

"Crepúsculo dos Deuses" (1950)

3
Lyle Wheeler

"...E o Vento Levou" (1939)

2
Edwin Willis

"Assim Estava Escrito" (1952)

1
Cedric Gibbons

"Sinfonia em Paris" (1951), "Flores do Pó" (1941), "À Meia Luz" (1944),
"Júlio Cesar" (1953), "Quatro Destinos" (1949), "Orgulho e Preconceito" (1940),
"Marcado Pela Sarjeta" (1956), "Assim Estava Escrito" (1952),
"A Ponte do Rio São Luis"(1928), "A Viúva Alegre" (1934)
& mais 40 Indicações ao OSCAR em mais de 1000 filmes!

28.1.08

O Mito: Edith Head


A influência que o cinema exerceu sobre a moda ao longo de todo o século 20 tem em Edith Head um de seus mais importantes personagens.

Ela nasceu em Los Angeles, Estados Unidos, e frequentou a Universidade de Stanford e da Califórnia, assim como o Otis Institute e a Chouinard Art School. Formada em Francês e Espanhol, Edith Head decidiu, em 1923, tornar-se estilista, respondendo a um anúncio de jornal com desenhos emprestados. Quando a fraude foi descoberta, ela já estava trabalhando com Howard Greer, contratada pela Paramount Pictures, um dos grandes estúdios cinematográficos de Hollywood, na época.

Em 1927, passou a ser assistente de Travis Banton, e onze anos mais tarde ganhou o posto de estilista chefe do estúdio, cargo que manteve até 1967, data em que se transferiu para a Universal Filmes.

Enquanto esteve na Paramount, Edith Head também criou figurinos para outros estúdios, entre os quais a Metro-Goldwin-Mayer, a Columbia, a 20th Century Fox e a Warner Bros. Assinou as roupas de mais de mil filmes, e recebeu oito prêmios Oscar por suas criações, um deles sempre contestado por Audrey Hepburn - o que a figurinista recebeu por SABRINA, no qual o guarda-roupa da própria atriz foi criado por Givenchy, seu grande amigo.

Brilhante e criativa, Edith Head desenhou roupas para estrelas como Marlene Dietrich, Mae West, Elizabeth Taylor e Grace Kelly. Algumas dessas roupas ficaram mundialmente famosas e foram copiadas à exaustão, como foi o caso do sarongue, criado em 1936 para Dorothy Lamour usar no filme A PRINCESA DA SELVA, e também um vestido de festa, tomara-que-caia, com o corpete justo e saia de tule branco sobre cetim verde, recoberta de violetas brancas, que Elizabeth Taylor usou em UM LUGAR AO SOL, de 1951, que estrelou ao lado do ator Montgomery Clift. Até hoje, admiradas em tantos filmes antigos, as roupas criadas por Edith Head continuam a esbanjar elegância.

Agulha, linha e altos ideais


Conhecimentos de história – especialmente da moda, fôlego de produtor, gosto para colocar a mão na massa (no caso, pregar botões, costurar e bordar, entre outras coisas), muita organização, uma extensa rede de contatos e talvez um pouco de habilidade para o desenho. São essas as principais características necessárias ao bom figurinista, uma profissão fundamental em todas as áreas do audiovisual dentro do escopo da direção de arte, mas que como tantas outras atividades não pode ser aprendida em um curso específico. Além disso tudo, disposição para aprender e se informar o tempo todo também é fundamental.

Grande parte dos profissionais que atuam nessa área é autodidata, aprendendo na prática as habilidades necessárias. Alguns vêm do curso de comunicações; outros, de moda. E muitos aprenderam com outros profissionais. Mas nem as faculdades de comunicação se aprofundam o suficiente em moda, nem a faculdade de moda apresenta as ferramentas necessárias para se trabalhar em produção audiovisual.

O trabalho do figurinista tem de ser feito em parceria com o diretor de fotografia. É preciso saber como a luz incide e o resultado disso na televisão ou película. No teatro, por exemplo, o volume, o 3D, é fundamental. No cinema, os defeitos aparecem mais e não tem como corrigir. Na TV, se for uma série ou uma novela, ainda dá pra remediar no capítulo seguinte.

O contato direto com celebridades pode fazer brilhar os olhos de alguns, mas ledo engano... O champagne só vêm no dia da estréia. Muitas pessoas têm a ilusão que a profissão é cheia de glamour, porque atua direto com atores e apresentadores. Mas é um trabalho puxado, corrido.

Para produzir o figurino de qualquer tipo de produto audiovisual, o figurinista pode seguir dois caminhos: o da produção e o da confecção. De acordo com o trabalho, é preciso ir a lojas especializadas e solicitar permutas ou comprar realmente as peças que serão utilizadas pelos atores. Podem ser lojas de roupas novas ou mesmo brechós. Em outros casos, o figurinista monta uma equipe de aderecistas e costureiras que vai produzir cada uma das peças de acordo com os modelos criados. Aí entra a necessidade de ter contatos para montar uma equipe especializada. Assim como um marceneiro não é necessariamente um cenotécnico, não é qualquer costureira que trabalha em cinema. É preciso ter o timing certo.

Selecionar o figurino mais adequado ou criar roupas novas depende de um profundo trabalho de pesquisa. Quando se trata de filme de época, os livros e revistas são fundamentais, assim como outros filmes e fotografias. Mas tudo deve ser embasado por um bom conhecimento de história da moda. É preciso saber as proporções da década, do período. E quando a trama se passa no tempo presente, é preciso interagir com os tipos que devem ser reproduzidos.

E se o diretor quer uma imagem mais realista, é sempre melhor trabalhar com roupas usadas. Às vezes isso não é possível, porque a peça pode ser frágil ou ter de ser usada muitas vezes. Então é necessário, reproduzir e envelhecer a roupa. A roupa realmente usada sempre fotografa melhor.

Por Crizólito Pinheiro & Lizandra de Almeira (Tela Viva)

Figurinos & Figurinistas

O cinema é um meio maravilhoso de mostrar a moda. Às vezes os modelos exageram um pouco, mas eu gosto de seus pequenos desempenhos! O drama enfatiza o movimento das roupas e...qual foi mesmo o show de Ngila Dickson e Richard Taylor....aquele com os gnomos? Ah..."Senhor dos Aneis"...é incrível! o figurino de Ngila foi ilustre. Senti que vestir roupas na Idade Média teria que ser assim mesmo...
Por Edna Moda, de "Os Incríveis", durante a cerimônia do OSCAR2005


100 Figurinos, 100 Figurinistas

100
Tim Chappel

"Priscilla, a Rainha do Deserto" (1994)

99
Theoni Aldredge

"O Grande Gatsby" (1974)

98
Sanzo Wada

"As Portas do Inferno" (1954)

97
Roger Furse

"Hamlet" (1948)

96
Nino Novarese

"Cromwell" (1970)

95
Marcel Vertes

"Moulin Rouge" (1952)

94
Lizzy Gardiner

"Priscilla, a Rainha do Deserto" (1994)

93
Lindy Hemming

"Topsy-Turvy" (1999)

92
Leah Rhodes

"As Aventuras de Don Juan" (1949)

91
Julie Harris

"Darling, a que Amou Demais" (1965)

90
John Truscott

"Camelot" (1967)

89
Joan Bridge

"O Homem que Não Vendeu sua Alma" (1966)

88
Janty Yates

"Gladiador" (2000)

87
Gwen Wakeling

"Sansão & Dalila" (1950)

86
Franca Squarciapino

"Cyrano de Bergerac" (1990)

85
Emile Santiago

"O Manto Sagrado" (1953)

84
Emi Wada

"Ran" (1985)

83
Eiko Ishioka

"Drácula, de Bram Stoker" (1992)

82
Deborah Scott

"Titanic" (1997)

81
Catherine Martin

"Moulin Rouge" (2001)

80
Bhanu Athaiya

"Gandhi" (1982)

79
Antonio Castillo

"Nicholas & Alexandra" (1971)

78
Angus Strathie

"Moulin Rouge" (2001)

77
William Theiss

"Esta Terra é Minha Terra" (1976)

76
Shirley Russell

"Reds" (1981)

75
Ruth Myers

"A Família Addams" (1991)

74
Ruth Carter

"Amistad" (1999)

73
Richard Taylor

"O Senhor dos Anéis" (2003)

72
Rene Hubert

"Desirée, O Amor de Napoleão" (1954)

71
Ralph Jester

"Os Dez Mandamentos" (1956)

70
Anthony Mendleson

"A Incrível Sarah " (1970)

69
Maurizio Millenotti

"Hamlet" (1990)

68
Mary Ann Nyberg

"Nasce uma Estrela" (1954)

67
Denny Vachlioti

"Nunca aos Domingos" (1960)

66
Bob Ringwood

"Império do Sol" (1987)

65
Julie Weiss

"12 Macacos" (1995)

64
Judy Moorcroft

"Passagem para Índia" (1984)

63
John Jensen

"Os Dez Mandamentos" (1956)

62
Joe Tompkins

"Os Donos da Noite " (1989)

61
Irene Gibbons

"Ser ou Não Ser" (1942)

60
Herschel McCoy

"Quo Vadis?" (1951)

59
Anthea Sylbert

"Chinatown" (1974)

58
Anna Hill Johnstone

"O Poderoso Chefão" (1972)

57
Alexandra Byrne

"Elizabeth" (1998)

56
Barbara Karinska

"Joana D´Arc" (1948)

55
Yvonne Blake

"Nicholas & Alexandra" (1971)

54
Arlington Valles

"Spartacus" (1960)

53
Gabriella Pescucci

"A Época da Inocência" (1993)

52
Elois Jenssen

"Sansão & Dalila" (1950)

51
Theodor Pistek

"Amadeus" (1984)

50
Elizabeth Haffenden

"Ben-Hur" (1959) - "O Homem que Não Vendeu sua Alma" (1966)

49
John Mollo

"Star Wars" (1977) - "Gandhi" (1982)

48
Cecil Beaton

"Gigi" (1958) - "My Fair Lady" (1964)

47
Donald Brooks

"Minha Adorável Espiã" (1970)

46
Miles White

"O Maior Espetáculo da Terra" (1952) - "A Volta ao Mundo em 80 Dias" (1956)

45
Paul Zastupnevich

"O Destino de Poseidon" (1972)

44
Bob Mackie

"Dinheiro do Céu" (1981)

43
Ray Aghayan

"Funny Lady" (1975)

42
Janet Patterson

"O Piano" (1993)

41
Judianna Makovsky

"A Vida em Preto e Branco" (1998)

40
Tony Walton

"Mary Poppins" (1964)

39
Donfeld

"A Honra do Poderoso Prizzi" (1985)

38
Morton Haack

"Planeta dos Macacos" (1968)

37
Theadora Van Runkle

"Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas" (1967)

36
Norma Koch

"O que Terá Acontecido a Baby Jane?" (1962)

35
Edward Stevenson

"O Jogo Proibido do Amor" (1960)

34
Marik Vos

"Fanny & Alexander" (1983)

33
Ngila Dickson

"O Senhor dos Anéis" (2001)

32
Piero Gherardi

"A Doce Vida" (1961)

31
Phyllis Dalton

"Doutor Jivago" (1965)

30
Orry-Kelly

"Quanto Mais Quente Melhor" (1959)

29
James Acheson

"O Último Imperador" (1987)

28
Moss Mabry

"Assim Caminha a Humanidade" (1956)

27
Vittorio Nino Novarese

"Cleopátra" (1963)

26
Marjorie Best

"Dez Passos Imortais" (1960)

25
Billy Travilla

"Aventuras de Don Juan" (1949)

24
Ann Roth

"O Paciente Inglês" (1996)

23
Howard Shoup

"Rebeldia Indomável" (1967)

22
Piero Tosi

"A Gaiola das Loucas" (1979)

21
Patricia Norris

"O Homem-Elefante" (1980)

20
Renie Conley

"Cleopátra" (1963)

19
Colleen Atwood

"Chicago" (2002)

18
Danilo Donati

"Casanova de Fellini" (1976)

17
Albert Wolsky

"All That Jazz" (1979)

16
Margaret Furse

"Ana dos Mil Dias" (1969)

15
John Bright

"Razão e Sensibilidade" (1995)

14
Gile Steele

"Tarde Demais" (1949)

13
Sandy Powell

"Shakespeare Apaixonado" (1998)

12
Anthony Powell

"Tess" (1980)

11
Mary Wills

"O Diário de Anne Frank" (1959)

10
Milena Canonero

"Carruagens de Fogo" (1981)

9
Jenny Beavan

"Uma Janela Para o Amor" (1986)

8
Walter Plunkett

"Sinfonia em Paris" (1951)

7
Bill Thomas

"Spartacus" (1960)

6
Helen Rose

"A Bela e a Fera" (1952)

5
Dorothy Jeakins

"Sansão e Dalila" (1950)

4
Jean Louis

"À um Passo da Eternidade" (1953)

3
Irene Sharaff

"Amor, Sublime Amor" (1961)

2
Charles LeMaire

"A Malvada" (1950)

1
Edith Head

"Crepúsculo dos Deuses" (1950) - "Um Lugar ao Sol" (1951) - "Janela Indiscreta" (1954) - "Os Pássaros" (1963)
e mais 35 Indicações ao Oscar de Figurino
by TemplatesForYou
SoSuechtig,Burajiru