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17.2.08

Entre o fascista e o liberal, Berlim consagra todos...

Berlim: TROPA DE ELITE, o controverso filme de José Padilha, venceu o Urso de Ouro, prêmio máximo do 58.º Berlinale. Se TROPA DE ELITE foi considerado "fascista" por alguns, o Urso de Prata, STANDARD OPERATING PROCEDURE, de Errol Morris (Primeiro documentário em concurso de Berlim nos 58 anos de existência da competição), foi denunciado por outros como “liberal” demais.

Também premiados, SANGUE NEGRO, de Paul Thomas Anderson (Único filme com dois ursos - melhor Diretor e Melhor Trilha Musical - Jonny Greenwood); a atriz inglesa Sally Hawkins (Melhor Atriz em HAPPY-GO-LUCK); o ator iraniano Reza Najie (Melhor Ator em THE SONG OF SPARROWS); e os diretores Wang Xiaoshuai (Melhor Roteiro por IN LOVE WE TRUST) e Fernando Eimbcke (Menção Honrosa por LAKE TAHOE).

OS prêmios concedidos pelo júri composto por Costa-Gavras, pelas atrizes Diane Kruger e Shu Qi, pelo editor Walter Murch, pelo cenógrafo Uli Hanisch e pelo produtor Aleksander Rodnianski manteve a habitual tendência de Berlim em evitar prêmios "óbvios" especulados pela critica e escolher um Urso de Ouro “fora do baralho”, ao mesmo tempo em que fragmentou os prêmios, premiando a maior parte do bom cinema exibido na capital alemã.

TROPA DE ELITE, primeiro longa de ficção do documentarista José Padilha, conta em moldes de filme de “ação americana” o cotidiano do grupo de operações especiais antidroga da polícia do Rio de Janeiro, e foi mal recebido pela crítica presente em Berlim (a "bíblia" da indústria que é a Variety chamou-lhe "um filme de recrutamento fascista").

O mesmo destino, embora por razões opostas, de STANDARD OPERATING PROCEDURE: A maior parte da imprensa apontou o dedo ao respeitadíssimo documentarista Errol Morris por o seu filme sobre soldados responsáveis pelos abusos de Abu Ghraib não trazer nada de novo ao debate sobre o Iraque, e até por intercalar reconstituições estilizadas dos fatos. Nenhum deles era considerado uma aposta para prêmios.

No entanto, se os prêmios principais desiludiram a crítica, ninguém protestou contra a "dobradinha" de SANGUE NEGRO, com Paul Thomas Anderson sagrado melhor diretor e Jonny Greenwood, do Radiohead, a sublinhar os lados barrocos, operativos, quase visionários do projeto.

Também razoavelmente unânime foi a atribuição do prêmio de melhor atriz à britânica Sally Hawkins pela sua interpretação de uma educadora de infância só aparentemente "cabeça-no-ar" em HAPPY-GO-LUCK. Hawkins era, a par de Tilda Swinton, a favorita da imprensa presente, ao contrário do iraniano Reza Najie, cuja vitória em Melhor Ator por THE SONG OF SPARROWS apanhou de surpresa aqueles que esperavam a coroação de Daniel Day-Lewis.

Dos grandes filmes vistos em Berlim este ano, os dois melhores partem infelizmente de mãos vazias, BALLAST, de Lance Hammer e SPARROW, de Johnnie To, mas os restantes acabaram contemplados de alguma forma, mesmo como consolação.

A cerimônia decorreu no Theater Potsdamer Platz a portas fechadas, perante 1600 convidados, com transmissão em simultâneo no canal de televisão ZDF/3sat e no site na Internet do festival.

Após a entrega dos prêmios, Berlim 2008 encerrou oficialmente com a projeção da comédia de Michel Gondry, BE KIND REWIND, com Jack Black, Mos Def e Danny Glover, sobre uma locadora de vídeos VHS que substitui os originais por versões caseiras.

URSO DE OURO | Melhor Filme
TROPA DE ELITE | José Padilha

URSO DE PRATA | Melhor Filme
STANDARD OPERATING PROCEDURE | Errol Morris

URSO DE PRATA | Melhor Diretor
P.T.Anderson | SANGUE NEGRO

URSO DE PRATA | Melhor Atriz
Sally Hawkins | HAPPY-GO-LUCY

URSO DE PRATA | Melhor Ator
Reza Najie | THE SONG OF SPARROWS

URSO DE PRATA | Melhor Trilha Musical
Jonny Greenwood | SANGUE NEGRO

URSO DE PRATA | Melhor Roteiro
Wang Xiaoshuai | IN LOVE WE TRUST

PRÊMIO ALFRED BAUER
Fernando Eimbcke | LAKE TAHOE

16.2.08

Tão perto, tão longe

Berlim (Dia 9): É preciso esperar pelo último filme exibido em competição oficial - e é mesmo, cronologicamente, o último - para encontrar um cineasta novo. Novo, no sentido de assinar o seu primeiro filme e de, ao fazê-lo, propor uma linguagem própria e uma identidade perfeitamente definida.

Mais: Lance Hammer é um cineasta americano formado no sistema de produção dos grandes estúdios (como diretor artístico) e "apadrinhado" por gente que fez carreira na indústria (o produtor Mark Johnson, durante muitos anos sócio de Barry Levinson, o realizador de RAIN MAN, e o diretor Andrew Adamson, autor do primeiro SHREK e de AS CRÔNICAS DE NÁRNIA). Mas o que faz um filme que recebeu o prêmio de "excelência em direção" em Sundance 2008 e que a crítica tem identificado com o realismo social dos irmãos Dardenne ou com a austeridade de Carlos Reygadas?

BALLAST é tecnicamente um filme independente americano e criativamente um filme europeu. Pega numa história que, contada no modo narrativo tradicional, daria para uma curta: depois da morte do pai, uma criança de 12 anos é apanhada no meio de uma guerra entre o tio (irmão gêmeo do pai) e a mãe (que já estava dele separada) pela casa e a loja da família.

Mas o que interessa a Lance Hammer não é a narrativa. Ou antes: o que lhe interessa é o que fica por dizer entre os (esparsos) diálogos. O modo como Lawrence (o irmão), Marlee (a esposa) e James (o filho) vivem longe, como a paisagem desolada, chuvosa, cinzenta, o isolamento rural, o “nada” são tantas prisões que os impedem de voar para outro longe.

Sobretudo: como os adultos podem dar cabo da vida dos filhos, como as pessoas tentam reconstruir as suas vidas depois de uma tragédia. E como é possível encontrar a esperança dentro de nós quando parece não haver nenhuma à vista; e como às vezes basta um pequeno passo aqui tão perto para fazer uma grande diferença.

Construído a partir de improvisações coletivas por um elenco de atores não profissionais da zona do Mississipi, onde foi rodado, substituindo qualquer tipo de música por um trabalho notável de mixagem de som (ecos de Gus van Sant), BALLAST é um objeto de singular liberdade criativa que revela uma vontade e uma postura estética absolutamente rara no atual cinema independente americano. É um filme que não faz concessões de espécie nenhuma: quem quiser que o siga.

(Não houve muita gente disposta a isso, na primeira projeção de imprensa, a julgar pela percentagem de abandonos; mas isso é mais uma conseqüência da sua programação tardia no festival e do tom autoral demasiado raro na seleção oficial deste ano).

BALLAST não é um filme perfeito, mas o que lhe falta em perfeição, se compensa em emoção, alma e crença no poder da imagem em movimento. É uma das melhores estréias em muito tempo e o sexto grande filme de Berlim 2008 - E o mais forte candidato outsider ao Urso de Ouro.

15.2.08

Caçada aos Ursos Dourados

Berlim: Já é hábito chegarmos no fim da Berlinale e todos reclamarem que o festival deste ano foi fraco. Agora, na reta final - hoje será exibido os últimos filmes em concurso, e amanhã o júri de Costa-Gavras anuncia os premiados -, os primeiros balanços começam a aparecer na imprensa. E, como de costume, todos se queixam que Berlim caducou, que o Mercado Europeu se tornou maior que o próprio festival, que este ano há menos gente no Potsdamer Platz...

SANGUE NEGRO, de Paul Thomas Anderson, exibido no primeiro dia de competição, continua intocável como preferido da crítica local e internacional para abocanhar o Urso de Ouro. Seria uma "dobradinha" para o diretor americano, que já venceu Berlim com MAGNÓLIA. A exceção de HAPY-GO-LUCK, de Mike Leigh, ninguém vê outro filme em concurso com potencial para o prêmio máximo.

No entanto, esta foi uma das mais fortes seleções competitivas de Berlim nos últimos anos - embora a crítica levante muitas reservas ao excelente documentário de Errol Morris, STANDARD OPERATING PROCEDURE; considere LAKE TAHOE, de Fernando Eimbcke, como carta fora do baralho e o sublime SPARROW, de Johnnie To, o mais extraordinário filme exibido em Berlim, como um exercício de estilo inconseqüente.

Kirk Honeycutt, do Hollywood Repórter, apontou uma questão interessante: a equipe do curador Dieter Kosslick prefere jogar no seguro, convidando mais veteranos do que estreantes dispostos a inovar, o que torna Berlim um festival menos estimulante (Basta pensar que nunca um documentário tinha sido apresentado em concurso antes de STANDARD OPERATING PROCEDURE).

Quem olha para os últimos Ursos de Ouro, todavia, lê uma história diferente - em 2005 o filme sul-africano CARMEN E-KHAYELISTHA, de Mark Dornford-May; em 2006, EM SEGREDO, estréia do bósnio Jasmila Zbanic na direção; em 2007 O CASAMENTO DE TUYA, do chinês Wang Quan´an.

Quase todos foram surpresa na competição que, tal como agora, foram consideradas fraquinhas ou pouco inspiradas. SANGUE NEGRO é a escolha óbvia para o Urso de Ouro 2008 - e Berlim nunca gostou muito de confirmar o óbvio.

O que é verdade em 2008, no entanto, é que o ambiente na Potsdamer Platz é menos frenético; e que, este ano, o contingente crítico é claramente menos internacional e muito mais alemão.

Há menos produções americanas disputando uma carreiras européia (só mesmo SANGUE NEGRO, ao contrário de anos anteriores, em que V DE VINGANÇA, 300, NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO ou CARTAS DE IWO JIMA tiveram um lançamento europeu), o que contribui para a sensação de menos peso da seleção oficial. E as seções paralelas Fórum e Panorama, habitualmente "reservas estratégicas" que permitem preencher as lacunas da programação oficial, também não estão entusiasmantes. O que ajuda a explicar, por exemplo, por que é que a bilheteira de imprensa que precede muitas das sessões da programação paralela não têm as habituais filas intermináveis.

São, evidentemente, questões puramente circunstanciais - um festival está sempre dependente dos filmes que estão prontos a tempo da sua seleção, e nunca sabemos o que um filme vale realmente antes de o vermos. Mas cinco grandes filmes em Berlim - Anderson, Eimbcke, Leigh, Morris, To - não é nada fraco numa competição de 20 filmes.

E ainda falta ver BALLAST, de Lance Hammer, com a reputação de ser o melhor indie americano em muitos anos. Se chegarmos aos seis grandes filmes em Berlim, isso realmente não é nada mau...

Você confere a crítica de todos os filmes em competição no SPOILER MOVIES sob o label: BERLIM´08

Prognósticos

URSO DE OURO | Melhor Filme
HAPPY-GO-LUCY | Mike Leigh
SANGUE NEGRO | P.T.Anderson
SPARROW | Johnnie To
LAKE TAHOE | Fernando Eimbcke
BALLAST | Lance Hammer

URSO DE PRATA | Melhor Atriz
Sally Hawkins | HAPPY-GO-LUCY
Tilda Swinton | JÚLIA
Penelope Cruz | ELEGY

URSO DE PRATA | Melhor Ator
Daniel Day-Lewis | SANGUE NEGRO
Nanni Moretti | CAOS CALMO
Diego Cataño | LAKE TAHOE

URSO DE PRATA | Melhor Diretor
Mike Leigh | HAPPY-GO-LUCY
P.T.Anderson | SANGUE NEGRO
Johnnie To | SPARROW

Lugares Comuns

Berlim (Dia 8): Afinal, havia outro filme alemão em competição em Berlim - mas a prova de que as nacionalidades já não são mais o que eram está em que HEART OF FIRE só é alemão no financiamento (partilhado com a Áustria e o Quênia). O documentarista italiano Luigi Falorni, um dos co-autores de CAMELOS NÃO CHORAM, ficciona aqui, a autobiografia de Senait Mehari, uma menina da Eritréia que foi retirada pelo pai do internato católico onde estudava e entregue a um grupo de guerrilheiros para ser doutrinada na luta pela independência da Etiópia. Mas, infelizmente, Falorni não consegue transcender o lugar-comum do melodrama bem-intencionado de infância desvalida.

O lugar-comum é problema também de RESTLESS, do israelita Amos Kollek - que, curiosamente, é também o filme mais multicultural em concurso. Uma co-produção entre Israel, Alemanha, Bélgica, Canadá e França. Tudo para contar a reconciliação de um pai que abandonou Israel e filho, depois da morte da mãe. Ironia: O pai, que vive em Nova York, é o "espírito livre" artístico, o filho é comandante do exército. O ajuste de contas é justamente o que mais interessa em RESTLESS, que de resto se contenta em perpetuar todas as regras gastas de um certo cinema independente com uma sisudez de mau gosto e muitas vezes canhestra.

Mal por mal, antes KABEI, do veterano japonês Yoji Yamada (A SOMBRA DO SAMURAI), que também pouco ou nada traz de novo, mas pelo menos tem o bom senso de não querer ser mais do que é: Um melodrama familiar clássico sobre uma mãe de Tóquio que, em plena II Guerra Mundial, enfrenta com as duas filhas a ausência do pai, professor universitário preso por delito de pensamento. Tudo bem feito, bem interpretado, muito certinho - mas "certinho" é coisa de filme para ver numa sessão da tarde, não de filme em concurso num festival de cinema tão renomado como Berlim.

14.2.08

No dia de Madonna

Berlim (Dia 7): CAOS CALMO não seria o novo filme de Nanni Moretti. Foi dirigido por Antonello Grimaldi e adapta um romance de Sandro Varonesi, mas poderia ser. No entanto, os holofotes de Berlim não foram do ator e diretor italiano... Nem do japonês Yoji Yamada, que teve o azar de ver sua sessão de imprensa de KABEI (adaptação de uma antiga história de Kurosawa) coincidir com outra, muito mais disputada, que lotou a ponto de muita gente sentar no chão do Cinestar 3.

Trata-se de mais um momento punk-rock em Berlim, e tudo por causa de uma pergunta: Madonna é capaz de fazer um filme? Sim, ela é. Embora não signifique que seja bom... FILTH AND WISDOM, precede a arrogância de uma diva que acha que sabe fazer de tudo e a quem ninguém ousou dizer que seria uma péssima idéia. (Provavelmente, seu marido, o diretor Guy Ritchie, até a encorajou!).

Mas surpreendentemente, FILTH AND WISDOM não é uma catástrofe: É uma fita anônima e inconseqüente, com direito a tudo de produção barata, como filmagem digital, atores desconhecidos e roteiro “zen” básico sobre a necessidade de equilíbrio nas nossas vidas entre luz e escuridão, céu e inferno. Ou seja, o fetichismo S&M pode ser o caminho da sabedoria!

Para desespero de muitos, há filmes piores. O que salva FILTH AND WISDOM da irrelevância é a presença carismática do novo afilhado e cúmplice da cantora: Eugene Hutz, líder da banda Gogol Bordello, interpretando um personagem que por acaso é cantor e líder de uma banda chamada Gogol Bordello.

O filme gira à sua volta e sua performance de mafioso-gigolô recém fugido da Ucrânia carrega o filme nos ombros, mas não é suficiente para levar FILTH AND WISDOM além de uma mera curiosidade que nessa gelada Quarta-Feira tirou os holofotes de CAOS CALMO, o tal filme que não é de Nanni Moretti, mas poderia ser...

A fita de Antonello Grimaldi é uma espécie de "variação" sobre a matriz do luto e da dor dO QUARTO DO FILHO. Poderia se chamar O BANCO DO PAI, porque é num banco de jardim que Moretti passa o filme, como um executivo de televisão, cuja mulher morreu inesperadamente. Ele internaliza o vazio passando os dias sentado no tal banco de jardim. É uma espécie de "Moretti light", igualmente inteligente no modo como trabalha com sutileza a convenção do melodrama, mas um pouco convencional, mais enfabulado e menos inspirado - talvez seja injusto fazer a comparação, mas a presença do ator/diretor no papel principal (bem como sua colaboração no roteiro) a torna inevitável. E a verdade é que o filme de Antonello Grimaldi não desmerece os pergaminhos de seu ator, atento e generoso, impecável na placidez do seu homem que reage à maior dor da sua vida recolhendo-se para dentro de sua concha. É um filme que merece um olhar mais atento (e vai tê-lo) - mas teve o azar de ser mostrado no dia de Madonna.

13.2.08

Alegria! Alegria!

Berlim (Dia 6): Tilda Swinton, chega para lá. Paul Thomas Anderson, da licença por favor... Chegou Mike Leigh e seu novo filme, HAPPY-GO-LUCKY, desde já um dos grandes favoritos ao Urso de Ouro. E dessa vez, o diretor resolve olhar o cotidiano com óculos cor-de-rosa...

Mike Leigh tem toda razão quando diz que nunca deixou de colocar um pouco de humor mesmo em seus dramas mais pesados, filmes como NU (NAKED), SEGREDOS E MENTIRAS e VERA DRAKE. Mas nunca fez uma comédia como HAPPY-GO-LUCKY. O filme, exibido ontem ao meio-dia, foi o mais aplaudido até agora nas sessões de imprensa. Leigh mirou no alvo e acertou.

Fala sobre Poppy, uma professora solteira em Londres que nunca se contagia pelo mau-humor dos outros. E Poppy é Sally Hawkins que brilha muito, muito, muito alto com uma interpretação extraordinária que escora todo o filme sem esforço. (Hello! Oscar!)

Seu filme é um suspiro numa seleção duvidosa e fraca, mas que começa a dar sinais de recuperação: Da China veio SPARROW. Um cinema raro com heróis e vilões e mulheres fatais. É Fred Astaire deixado à solta numa Hong Kong tão artificial como se tivesse sido reconstituída em Hollywood, filmada como Steven Soderbergh a homenagear Vincente Minnelli: Elegância, leveza, graça, agilidade, descontração. É uma sensação de permanente deslumbramento - como se Johnnie To estivesse a inventar o cinema à nossa frente. Não está, mas não faz mal: o que interessa é a imagem.

SANGUE NEGRO, LAKE TAHOE, SPARROW e SOP confirmam que Berlim não está tão fraca como se esperava. E dessa lista sai o Urso de Ouro. E Sim, TROPA DE ELITE está fora da disputa. Fascista demais.

12.2.08

A Maldição da Tropa

Berlim (Dia 5): Depois de virar um fenômeno no mercado pirata de DVDs, onde pesquisas indicam que foi visto por 11,5 milhões de pessoas, TROPA DE ELITE ficou tão falado que só o New York Times lhe dedicou duas reportagens. E tudo antes que o filme estreasse nos cinemas. Ontem, o filme aterrissou na Berlinale, mas naturalmente paira uma maldição sobre o filme...

O sumiço da película com legendas em inglês atrasou a sessão de imprensa e instalou um verdadeiro pandemônio no Berlinale Palast. A solução foi a exibição do filme (com muito atraso) com legendas em alemão. Para tradução em inglês, foram usados fones de ouvido. Como poucos falam alemão ou português, formou-se uma fila grande para ouvir as falas do Capitão Nascimento traduzidos por uma mulher... Foi assim que a imprensa internacional viu TROPA DE ELITE e você há de convir que isso altera sensivelmente a possibilidade de adesão a um filme.

No final da sessão, houve um silêncio solene. Para outros filmes na disputa, houveram pelo menos, aplausos, ainda que moderados. É positivo ou negativo para as chances de TROPA DE ELITE no Urso de Ouro? O silêncio, afinal, pode ter sido a expressão da perplexidade que o filme produziu. As sessões para a imprensa determinam a repercussão do filme. É a partir delas que são escritas as reportagens e as críticas. As sessões oficiais competitivas têm público composto por convidados.

Mas a coletiva lotou. Havia muita gente interessada em discutir o filme. O diretor Padilha, o produtor Marcos Prado, os atores Wagner Moura e Maria Ribeiro e o diretor de fotografia Lula Carvalho sentaram-se à mesa. Padilha foi quem mais falou, e tanto ele como Wagner se expressaram em inglês fluente. Padilha é racional até o limite. Em função de toda a polêmica ocorrida com seu filme no Brasil, ele desenvolveu um discurso muito articulado. Ele sabe perfeitamente por que - e como - fez seu filme. Deixa-o claro em todas as suas intervenções.

Não houve comparações com CIDADE DE DEUS. Em compensação, a grande questão, claro, era por que fazer um filme desses do ângulo da polícia? “Meu primeiro longa foi o documentário ÔNIBUS 174, que focalizava os mesmos problemas do ângulo dos excluídos. Um ex-menino de rua seqüestrava um ônibus, o caso foi acompanhado ao vivo pela TV e terminou de forma sangrenta, com as mortes do seqüestrador e uma refém. Ao escolher contar a história do ângulo do seqüestrador, fui chamado de esquerdista, comunista. Ao contar a história de TROPA DE ELITE do ângulo do policial, passei a ser chamado de fascista. São simplificações que não fazem mais sentido. Constroem um muro que, aqui nesta cidade, já foi destruído. As coisas hoje em dia são muito mais complexas”.

TROPA DE ELITE compete oficialmente pelo Urso de Ouro. A estratégia é abrir caminho pelos festivais Internacionais até chegar ao Oscar 2009, onde têm chances de competir nas categorias de Melhor Edição, Fotografia, Roteiro Adaptado e Diretor (José Padilha).

Por Luiz Zanin Oricchio (Estado), Silvana Arantes (Folha) e Agências Internacionais

11.2.08

Crianças Perdidas: Diretores Perdidos

Berlim (Dia 3-4): Hoje é o grande dia do Brasil na Berlinale. É hoje que o Capitão Nascimento invade, de arma na mão, o Palast - o palácio do Festival de Berlim - para a sessão de imprensa de TROPA DE ELITE, com presença do diretor José Padilha e do ator Wagner Moura. Há grande expectativa em relação a "ELITE SQUAD". Jornalistas de diversos países perguntam que "raio" de filme é este que virou assunto na imprensa estrangeira antes mesmo de estrear nos cinemas do País?

Como reagirão os europeus ao Bope e à truculência do Capitão Nascimento? O mistério vai se dissipar em breve, mas uma coisa é certa, TROPA DE ELITE é diferente de todos os filmes exibidos até agora. Uma seleção fraquíssima e disforme sobre famílias disfuncionais e relações terminais. Vários filmes tratam desses temas, aos quais acrescentam uma perturbadora atração pelo abuso infantil.

Crianças foram seqüestradas e prostituídas em GARDENS OF THE NIGHT, de Damian Harris; o menino de JÚLIA, de Erick Zoncka, bolina a mulher bêbada e adormecida; e em FIREFLEES IN THE GARDEN, de Dennis Lee, a tia é totalmente consciente do desejo que desperta no sobrinho. Nenhum dos filmes citados é bom, mas o de Zoncka consegue ser o pior de todos. Como o talentoso diretor de A VIDA SONHADA DOS ANJOS, depois de 10 anos, retorna do ostracismo com uma bomba dessas? Ele admite que se inspirou em GLÓRIA, de John Cassavetes, mas perdeu o foco ao contar a história desta mulher autodestrutiva - interpretada por Tilda Swinton - que seqüestra um garoto para reaproximá-lo da mãe.

O mexicano LAKE TAHOE, de Fernando Eimbcke, parece que não tem história - um jovem sofre um acidente de carro e anda atrás de uma oficina mecânica, envolvendo-se com várias figuras -, mas é um filme de autor, e radicalmente novo, em que todos estes episódios, aparentemente desconexos, se articulam para elaborar a dor da perda. O carro é o de menos. O garoto perdeu o pai e isto fragilizou a vida familiar.

Berlim confere ainda hoje, mais dois filme em competição (entre 21 longas): O alemão KIRSCHBLÜTEN - HANAMI ("O Desabrochar das Cerejas" em tradução livre), de Doris Dörrie, uma tragicomédia sobre a vida amorosa de um homem, e o chinês SPARROW ("Pardal"), de Johnnie To, sobre jovens delinqüentes. Sim! Mais crianças perdidas...

Por Luiz Zanin Oricchio (Estado), Silvana Arantes (Folha) e Agências Internacionais

10.2.08

Sobre Óleo e Novelas Chinesas

Berlim (Dia 2): Passado o pandemônio da presença dos Rolling Stones em Berlinale, o 58º festival começou para valer. Primeiro o chinês IN LOVE WE TRUST, de Wang Xiaoshuai, diretor da sexta geração que recebeu o Urso de Prata em 2001, por BICICLETAS DE PEQUIM. Na seqüência, SANGUE NEGRO, de Paul Thomas Anderson, com Daniel Day-Lewis. O filme é longo, quase três horas. Ocorreram problemas técnicos durante a projeção, o que motivou uma certa gritaria de protesto, mas ninguém arredou pé da sala...

Inspirado no clássico da literatura americana "Petróleo", de Upton Sinclair, o filme é um retrato magistral de CIDADÃO KANE, de Orson Welles, em que um homem cria sua fortuna destruindo tudo aquilo que havia contribuído para formá-la.

SANGUE NEGRO conta a história de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), desde o momento em que ele escava poços com as próprias mãos, no fim do século 19, no Oeste dos EUA, até se tornar um magnata do negócio que vive sozinho sua velhice em meados do século 20. Entre um tempo e outro, Plainview cria um filho, restabelece relações com um irmão, administra trabalhadores, negocia com sócios e concorrentes de um modo duramente particular -ou como quem enxerga "o pior nas pessoas", segundo suas próprias palavras.

A atuação de Day-Lewis foi premiada com um Globo de Ouro, um SAG e recebeu uma indicação ao Oscar (onde é favorito) e vem sendo freqüentemente definida como magnífica pela crítica dos EUA. Mas não é somente Day-Lewis que brilha... Paul Dano dá um show como o jovem pastor que vive às turras com o trágico anti-herói desta saga.

Anderson e Day-Lewis deram coletiva em Berlim. O diretor afirmou que "fazer um filme é como perfurar um poço de petróleo: Você não sabe se vai conseguir algo bom, mas continua tentando". "E, talvez, quando você consegue algo que parece bom, você fica ganancioso e continua perfurando”.

Mas o diretor não soube tomar como elogio a afirmação que mudou seu estilo. Daniel Day-Lewis veio em socorro do diretor e disse que, se ele muda, é em função das histórias que quer contar, mas a voltagem crítica é a mesma (e até se radicaliza, a cada filme). Quando perguntaram ao ator qual era sua expectativa em relação ao Oscar, foi a vez de P.T. Anderson frisar: “Gostaria que nos dessem todos os Oscars, e não apenas para Daniel”.

Também em competição, IN LOVE WE TRUST conta a história de uma mulher divorciada que descobre que a filha, uma menina de cinco anos, está enferma de leucemia. Embora tanto ela quanto o ex-marido tenham se casado de novo, a heroína lá pelas tantas resolve ter um filho com o ex, na expectativa de que ele possa ser o doador da medula que a garota necessita. A história é digna de uma novela de Manoel Carlos e um personagem, o ex-marido, chega a dizer que se sente dentro de uma “soap opera”.

O que faz a diferença é o olhar de Wang Xiaoshuai sobre a nova China. O ex-marido é um construtor de obras que estão parando por falta de dinheiro. O próprio problema da leucemia infantil preocupa as autoridades e vem sendo motivo de muita pesquisa nos últimos anos. Como diz o diretor, seu filme é universal - ele espera -, mas a realidade que filma é a chinesa. Trabalhando na corda-bamba da emoção, como se evita o melodrama? “É um mérito dos atores, que pesquisaram a fundo para seus personagens”.

A China venceu o Festival de Berlim no ano passado com O CASAMENTO DE TUYA (Também sobre a relação de um casal ameaçada por um problema de saúde) e provocou polêmica com o acossado pela censura LOST IN BEIJIN.

Por Luiz Zanin Oricchio (Estado), Silvana Arantes (Folha) e Agências Internacionais

8.2.08

Política e Rock´n´Roll

Berlim (Dia 1): Os Rolling Stones causaram um verdadeiro alvoroço na entrada do Hotel Hyatt para a coletiva de SHINE A LIGHT, o recente documentário de Martin Scorsese que inaugurou ontem o 58º Festival de Berlim. Os fãs fizeram fila na rua (congelada) apenas para vê-los passar, enquanto os jornalistas se acotovelavam para a entrevista com uma hora de antecedência. O tapete vermelho em si parecia um mercado persa, só que em vez de gritar: “Laranjas! Laranjas!” Uma dúzia de limão por um real", o pessoal gritava: Jagger! Jagger! Scorsese! Scorsese!

Berlinale é conhecida pelo seu teor altamente político. Para o presidente do júri deste ano, Costa-Gavras, estrela do cinema político por volta de 1970, isso se deve à própria cidade que, durante décadas, foi palco das tensões da guerra fria. E sem dúvida muitos filmes políticos serão apresentados em 2008, mas o festival também está celebrando a música: o rock sobre Berlim.

Madonna, Patti Smith, Neil Young, todos são convidados da Berlinale esse ano, mas duvido que Madonna, com seu FILTH AND WISDOW, provoque tanto frisson como ontem.

Na coletiva, Scorsese contou que ao terminar OS INFILTRADOS, estava tão confuso que decidiu pelo projeto de SHINE A LIGHT justamente para se desembaraçar do filme, que veja bem, lhe rendeu um Oscar. Muitos acharam o trabalho de Scorsese anônimo, dizendo que qualquer outro diretor de videoclipes teria feito um filme desses. Não é verdade. Solicitado a comparar Scorsese com Jean-Luc Godard, que o dirigiu em ONE PLUS ONE, documentando a criação da canção Sympathy for the Devil, Mick Jagger disse que ambos são grandes diretores, mas de estilos diferentes. Os dois filmes, de qualquer maneira, trabalham o tempo. Uma canção nasce diante dos olhos e ouvidos do público no filme de Godard. Uma profusão de canções atesta a vitalidade dos Stones em SHINE A LIGHT.

Jagger contou que propôs a Scorsese que filmassem o show de Copacabana, no Rio de Janeiro, porque achou que seria ótimo ter o registro "daquele grande show na praia, para passar em Imax [formato de tela gigante], mas Scorsese preferiu algo mais íntimo". O diretor explicou que sua escolha por um teatro pequeno foi porque ele gostaria de "não apenas filmar os Stones, mas mostrar a máquina armada para filmar os Stones".

SHINE A LIGHT foi exibido fora de competição. Talvez porque, com Stones e Scorsese juntos, seja difícil competir.

Por falar em competição, o júri de Berlim sofreu duas baixas: A cineasta dinamarquesa Susane Bier e a atriz francesa Sandrine Bonnaire abandonaram o barco. Segundo a justificativa dada pelo festival, Bier terá de ir aos EUA, tratar de assuntos relacionados ao seu próximo filme. E Bonnaire não poderia permanecer em Berlim durante todos os dias do festival, por isso teve de renunciar ao júri. O presidente do júri, Constantin Costa-Gavras, classificou as desistências de "um acidente" e disse que os remanescentes tentarão compensá-las sendo "mais inteligentes".

Costa-Gavras também contou que seu próximo filme será "um road movie sobre um homem que tenta chegar a Paris". Ele pretende estreá-lo no ano que vem, “em Berlim, ou em algum outro lugar", mas certamente fora de competição. "Acho que competir é algo que devemos fazer quando jovens”.

Por Luiz Zanin Oricchio (Estado), Silvana Arantes (Folha) e Agências Internacionais

16.1.08

Caçada aos Ursos Dourados



Berlim: O Festival Internacional de Cinema de Berlim divulgou, semana passada, a lista oficial de filmes em competição ao Urso de Ouro (e Prata) que ocorre entre 07 e 17 de Fevereiro. Eis os 17 filmes escolhidos:

HEART OF FIRE | Luigi Falorni - Alemanha/Austria
JULIA | Erick Zonca - França
LADY JANE | Robert Guédiguian - França
QUIET CHAOS | Antonello Grimaldi - Itália
HAPPY-GO-LUCKY | Mike Leigh - Inglaterra
RESTLESS | Amos Kollek - Israel
ELEGY | Isabel Coixet - EUA
SPARROW | Johnnie To - China
KABEI - OUR MOTHER | Yoji Yamada - Japão
SANGUE NEGRO | Paul T. Anderson - EUA
IN LOVE WE TRUST | Wang Xiaoshuai - China
GARDENS OF THE NIGHT | Damian Harris - Inglaterra/EUA
LAKE TAHOE | Fernando Eimbcke - México
POST MORTEM | Andrzej Wajda - Polônia
S.O.P. STANDARD OPERATING PROCEDURE | Errol Morris - EUA
TROPA DE ELITE | José Padilha - Brasil
KIRSCHBLÜTEN - HANAMI | Doris Dörrie - Alemanha

O júri será presidido pelo diretor grego Konstantinos Costa-Gavras, 74. Ufanismos à parte, TROPA DE ELITE têm concorrentes de peso pelo Urso de Ouro como Mike Leigh, Isabel Coixet, Errol Morris, Johnnie To e Andrzej Wajda. SANGUE NEGRO, de PT Andeson pode surpreender, turbinado com a expectativa dos Oscars 2008.

E pela primeira vez na história, a mostra oficial abre com um documentário: SHINE A LIGHT, de Martin Scorsese. O filme reúne uma equipe de câmeras para captar a energia dos Rolling Stones em duas apresentações, em outubro e novembro de 2006, no Beacon Theatre de Nova York. Com muito material filmado, que inclui imagens de arquivo exclusivas, gravações atuais e entrevistas realizadas nos bastidores, Scorsese, ao lado de Errol Morris é o grande contender ao Oscar 2009 de Melhor Documentário.

Outro grande acontecimento da Berlinale será a homenagem ao cineasta espanhol Luis Buñuel com a exibição de seus 32 filmes, além de outros nos quais trabalhou como produtor ou roteirista. Destaque também para o cineasta italiano Francesco Rosi que será homenageado com um prêmio pela carreira e um ciclo de 13 filmes, incluindo o premiadíssimo O CASO MATTEI de 1972.

O Spoiler News cobre o Festival na íntegra, direto de Berlim. As críticas serão publicadas no Spoiler Movies sob o label (BERLIM'08).

6.1.08

Mundo Berlim


Oito Filmes já foram confirmados em competição pelo 58º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Em disputa pelo Urso de Ouro estão diretores da China, Brasil, México, Inglaterra, EUA, Polônia e Alemanha.

Em seu mais recente filme, KIRSCHBLÜTEN - HANAMI (Ainda sem título em Inglês), a alemã Doris Dörrie (OS HOMENS, O PESCADOR E SUA MULHER) conta a estória de Rudi, interpretado por Elmar Wepper, que está seriamente doente. Quando sua esposa de muitos anos (Hannelore Elsner) inesperadamente morre, o viúvo passa a completar sua vida com outros olhos.


SANGUE NEGRO de Paul T. Anderson (MAGNOLIA, Urso de Ouro em 2000) é dos EUA. Baseado no romance "Oil!", de Upton Sinclair, mostra o negócio de perfuração de poços no sul da Califórnia como uma nova corrida pelo ouro. Daniel Day-Lewis interpreta um prospector - aquele profissional que conhece e indica terrenos metalíferos - que compra os direitos de extração do rancho de uma família e acaba encontrando lá uma arca do tesouro na forma de petróleo. Leia a crítica

O chinês Wang Xiaoshuai (BICICLETAS DE PEQUIM, Leão de Prata em 2001) apresenta IN LOVE WE TRUST em competição. Um casal descobre que a única maneira de salvar sua filha, que sofre de um raro câncer no sangue, é tendo outro filho, mas há um problema: Ambos estão casados novamente. Liu Weiwei, Zhang Jiayu e Yu Nan estão no elenco.


GARDENS OF THE NIGHT (Inglaterra/EUA) de Damian Harris descreve o destino de duas crianças que foram abduzidas e mantidas em cativeiro por 9 anos. Uma vez livre, elas são forçadas a viverem na rua e sobreviverem por conta própria. O filme estrela Gillian Jacobs, Evan Ross, Tom Arnold e John Malkovich.

O diretor mexicano Fernando Eimbcke que tomou parte na seleção "Talent Campus" em 2003, retorna à Berlim com seu segundo filme: LAKE TAHOE. É sobre um adolescente de 16 anos que têm que lidar com a morte súbita de seu pai. O filme apresenta Diego Cataño, Héctor Herrera, Daniela Valentine, Juan Carlos Lara e Yemil Sefani.


O vencedor do Oscar Andrzej Wajda, que competiu em Berlim por três vezes e recebeu um Urso de Ouro Honorário em 2006, apresenta seu mais recente trabalho POST MORTEM (KATYN) fora de competição. O filme é parcialmente baseado na história de sua própria família e resgata a heróica memória de oficiais poloneses executados na floresta de Smolensk em 1940. Maja Ostaszewska, Artur Zmijewski e Andrzej Chyra estão no elenco. Leia a crítica

Em S.O.P. STANDARD OPERATING PROCEDURE (EUA), o famoso documentarista e vencedor do Oscar Errol Morris (SOB A NÉVOA DA GUERRA, 2003) investiga os escândalos oriundos da violência humana nos complexos de Abu Ghraib e investiga o que necessariamente foi a "Guerra Antiterrorista”.


No Brasil, TROPA DE ELITE quebrou todos os recordes de bilheteria. Esse Festival apresenta o drama político em competição. José Padilha (ONIBUS 174) explora a temível influência do tráfico de drogas nas favelas cariocas e revela a bruta rotina diária de uma unidade tática da policia frente a uma parcela corrupta de seu contingente. O filme estrela Wagner Moura, Caio Junqueira e André Ramiro. Leia a crítica

O Spoiler News cobre o Festival na íntegra, direto de Berlim. As críticas serão publicadas no Spoiler Movies sob o label (BERLIM'08).
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